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Irã realiza manobras militares no estreito de Ormuz, na véspera de negociações com EUA
O Irã anunciou, nesta segunda-feira (16), o início de manobras militares no estratégico estreito de Ormuz, na véspera da segunda rodada de negociações com os Estados Unidos sobre o programa nuclear da república islâmica.
De acordo com a televisão estatal, a Guarda Revolucionária iniciou as manobras navais, embora a duração dos exercícios não tenha sido especificada.
As manobras têm como objetivo preparar a Guarda para “as ameaças em matéria de segurança e militares potenciais” no estreito de Ormuz, indicou a televisão iraniana.
Recentemente, os Estados Unidos mobilizaram no Golfo uma imponente força naval e já determinaram o envio de um segundo porta-aviões, o mesmo utilizado na operação na Venezuela de 3 de janeiro.
O Irã ameaçou várias vezes bloquear o estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% da produção mundial de petróleo.
Este agravamento das tensões ocorre na véspera da segunda rodada de negociações de alto nível entre representantes de Teerã e Washington.
O ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, já chegou a Genebra e se reuniu com o diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o argentino Rafael Grossi, “para uma troca técnica aprofundada”, segundo afirmou o chanceler na rede social X.
Também pelo X, Grossi detalhou que o encontro serviu para preparar as “importantes negociações previstas para amanhã [terça-feira] em Genebra”.
Além disso, Araghchi tem previstas conversas com seus pares da Suíça e de Omã e com outros funcionários internacionais, de acordo com a chancelaria iraniana.
Como na reunião do início deste mês, a delegação americana voltará a ser chefiada pelo enviado do presidente Donald Trump, Steve Witkoff, e pelo genro do republicano, Jared Kushner, de acordo com a Casa Branca.
Na Hungria, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, disse que em Washington esperam "que haja um acordo”.
O Irã e os Estados Unidos retomaram em fevereiro uma série de contatos, após a brusca interrupção ocorrida em junho passado em decorrência dos bombardeios de Israel em território iraniano.
Essa ofensiva foi o estopim de um conflito de 12 dias ao qual os Estados Unidos se somaram, com ataques contra infraestruturas nucleares iranianas.
- Suspeitas -
O Irã sustenta que a pauta está centrada exclusivamente no programa nuclear, mas os Estados Unidos insistem em incluir na discussão o programa iraniano de mísseis balísticos e o apoio que o país presta a grupos armados da região.
Apesar da perspectiva de uma nova rodada de negociações, Washington mantém o tom agressivo.
Em meio à feroz repressão aos protestos ocorridos em janeiro no Irã, Trump ameaçou intervir militarmente no país e chegou a enviar um porta-aviões à região, protegido por uma pequena frota de navios de combate. Na sexta-feira, confirmou o envio de um segundo porta-aviões.
“É preciso chegar a um acordo, do contrário será muito traumatizante” para o Irã, advertiu Trump um dia antes, e na sexta afirmou que uma mudança de regime no Irã “seria a melhor coisa que poderia acontecer”.
Por sua vez, o vice-ministro iraniano das Relações Exteriores, Majid Takht-Ravanachi, disse à BBC que Teerã poderia assumir compromissos sobre seu estoque de urânio se Washington suspendesse as sanções econômicas impostas contra a República Islâmica.
“Se virmos sinceridade da parte deles [dos Estados Unidos], estou certo de que estaremos no caminho de um acordo”, afirmou.
Países ocidentais e Israel acusam o Irã de tentar dotar-se de armas nucleares, algo que Teerã nega, assegurando que seu programa nuclear tem fins civis, como a geração de energia.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse no domingo que qualquer acordo deve implicar a retirada de todo o urânio enriquecido do Irã e ser capaz de impedir que Teerã possa enriquecer mais.
J.Sauter--VB