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Frio e IA impulsionaram emissões de gases de efeito estufa dos EUA em 2025
As emissões de gases de efeito estufa dos Estados Unidos aumentaram em 2025 devido à demanda por combustível para aquecimento e ao avanço da inteligência artificial (IA), que elevou a geração de energia elétrica, segundo um relatório independente divulgado nesta terça-feira (13).
O aumento de 2,4% em relação a 2024 foi registrado antes mesmo de as medidas favoráveis aos combustíveis fósseis assinadas pelo presidente Donald Trump começarem a ter efeito concreto, apontam os autores do relatório.
Esse crescimento contrasta com os dois anos anteriores, quando as emissões diminuíram na maior economia do mundo, segundo estimativa do centro de pesquisas americano Rhodium Group, com sede em Nova York.
As emissões dos Estados Unidos caíram 0,5% em 2024 e 3,5% em 2023, depois que a economia se recuperou da pandemia de covid-19. Em contrapartida, aumentaram em 2021 (6,3%) e 2022 (1,2%).
Em 2025, a pegada de carbono cresceu sobretudo devido ao consumo de energia dos edifícios e do próprio setor elétrico, responsáveis por 6,8% e 3,8% das emissões, respectivamente.
"O clima é irregular de um ano para outro (...) flutua assim por causa de um maior consumo de combustível para aquecimento", disse à AFP Michael Gaffney, analista do Rhodium Group e coautor do relatório.
"Mas, no setor elétrico, isso se deve ao aumento contínuo da demanda por parte de centros de dados, operações de mineração de criptomoedas e outros grandes consumidores", acrescentou.
Na Europa, as emissões de países como Alemanha e França seguem em queda, embora em ritmo menor que em anos anteriores, apesar de as temperaturas globais continuarem subindo e de tudo indicar que 2025 será confirmado como o terceiro ano mais quente já registrado.
- Energia solar e carvão -
Para piorar o cenário, os altos preços do gás natural para aquecimento e o aumento das exportações de gás natural liquefeito (GNL) favoreceram o retorno do carvão, o "combustível fóssil mais sujo", que gerou 13% mais eletricidade do que em 2024.
A energia solar, no entanto, também registrou alta de 34%, o que ajudou a elevar a produção de eletricidade sem emissões para 42%, um recorde.
No setor de transportes, o mais poluente, as emissões permaneceram relativamente estáveis.
Os Estados Unidos, segundo maior poluidor do mundo depois da China, acumulam as maiores emissões desde o início da era industrial, em meados do século XIX.
As emissões americanas diminuem, em média, 1% ao ano desde o pico registrado em 2007, tendência associada à substituição do carvão pelo gás natural, ao aumento da participação de fontes renováveis e à melhora da eficiência energética.
No entanto, desde que Donald Trump voltou ao poder há um ano, Washington tenta barrar projetos solares e eólicos e revogou incentivos fiscais para a compra de veículos elétricos, ao mesmo tempo em que favorece grupos petrolíferos.
Segundo Ben King, um dos coautores do relatório, os números positivos da energia solar e das vendas de veículos elétricos demonstram, ainda assim, "um progresso sustentado".
"Energia solar, eólica e baterias estão entre os recursos mais baratos (...) e também entre os mais disponíveis", destacou.
A tendência de médio e longo prazo é incerta, e os Estados Unidos parecem distantes da meta de reduzir suas emissões entre 50% e 52% até 2035, em relação a 2005, objetivo fixado pelo governo do ex-presidente democrata Joe Biden.
As estimativas anuais do Rhodium Group resultam da combinação de dados oficiais e de modelos baseados em indicadores econômicos e de geração de energia.
K.Hofmann--VB