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Fed mantém juros, enquanto guerra afeta perspectivas da inflação
O Federal Reserve (Fed, banco central americano) manteve inalteradas, nesta quarta-feira (18), suas taxas de juros pela segunda reunião consecutiva e destacou que o impacto da guerra no Oriente Médio na maior economia do mundo é incerta.
As taxas básicas de juros do Fed foram mantidas, portanto, no mesmo nível desde dezembro, na faixa entre 3,50% e 3,75%.
"As repercussões dos acontecimentos no Oriente Médio na economia americana são incertas. No curto prazo, o aumento dos preços da energia fará subir a inflação geral", avaliou o presidente do Fed, Jerome Powell, durante uma coletiva de imprensa após o anúncio da manutenção dos juros.
De todo modo, Powell acrescentou que "é cedo demais para determinar a magnitude e a duração dos possíveis efeitos (do conflito) sobre a economia".
A decisão do Fed tem tudo para desagradar o presidente americano, Donald Trump, que pede incansavelmente juros mais baixos para reduzir os custos de endividamento tanto dos americanos quanto das empresas, assim como do Estado federal.
Para os economistas, a guerra contra o Irã, que o presidente iniciou em 28 de fevereiro em conjunto com Israel e se espalhou pelo Oriente Médio, ameaça fazer os preços subirem e afetar o crescimento.
Durante os dois dias da reunião de seu comitê de política monetária, iniciada na terça-feira, os dirigentes do Fed atualizaram suas previsões econômicas pela primeira vez desde dezembro.
Segundo a mediana de suas projeções, os Estados Unidos praticamente não terão avanços no campo da inflação este ano.
O aumento dos preços poderia ficar em 2,7% em 2026. Anteriormente, a estimativa era de que a inflação seria de 2,4% no período.
Segundo os últimos dados oficiais, em janeiro os preços tinham subido 2,8% em 12 meses.
Ao contrário, os dirigentes do banco central americano melhoraram levemente sua previsão de crescimento: +2,4% frente à estimativa anterior, de +2,3%.
A previsão do desemprego segue em 4,4%, seu nível atual.
- Decisão quase unânime -
No tema da política monetária, os membros do Fed se inclinam, ainda, por uma única redução das taxas básicas de juros em um quarto de ponto este ano.
A decisão do Fed foi tomada quase sem questionamentos internos desta vez: 11 dos 12 dirigentes votaram pela manutenção dos juros.
Só o governador Stephen Miran, nomeado no fim do ano passado por iniciativa de Trump, queria uma redução dos juros em um quarto de ponto percentual.
A inflação nos Estados Unidos não volta à meta do Fed (2%) há cinco anos.
"Um banco central deve defender sua credibilidade na questão da inflação, e é difícil justificar baixas dos juros quando a inflação está acima da meta e se distancia dela", ressaltaram analistas do banco ING antes da reunião.
Trump garante que o impacto do conflito nos preços da energia será de curta duração.
Enquanto isso, o aumento dos preços nos postos de gasolina é impopular, e o Executivo americano anunciou, nesta quarta-feira, várias medidas destinadas a acalmar os ânimos.
Em particular, congelou por 60 dias uma lei que impede o transporte de combustíveis por navios não americanos entre portos do país.
M.Schneider--VB