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Trump marca reunião com líder opositora enquanto libertação de presos avança na Venezuela
O presidente Donald Trump anunciou nesta segunda-feira (12) uma reunião com a líder opositora María Corina Machado para a próxima quinta em Washington, enquanto avançam as libertações de presos políticos na Venezuela sob pressão americana.
Os Estados Unidos impuseram a agenda desde que depuseram Nicolás Maduro em um bombardeio a Caracas em 3 de janeiro.
A retomada de relações está sobre a mesa, e a presidente interina Delcy Rodríguez firmou acordos petrolíferos e iniciou a libertação de um "número significativo" de presos políticos: o governo informou nesta segunda-feira a soltura de 116 de cerca de 800 detidos em um processo lento e angustiante para os familiares.
Trump, que assegura estar no comando do país, disse estar satisfeito com a sucessora de Maduro e deu a entender que pretendia se encontrar com ela.
Por ora, o único encontro na agenda é com a opositora Corina Machado, que inclusive ofereceu ao presidente americano seu Prêmio Nobel da Paz.
Trump tem-se mostrado reticente a incluí-la em uma eventual transição política na Venezuela, apesar de apoiar sua reivindicação de fraude nas eleições presidenciais passadas. O republicano disse inclusive que ela "não tem apoio nem respeito em seu país".
Corina Machado foi recebida nesta segunda pelo papa Leão XIV no Vaticano. "Está mais perto a derrota do mal" na Venezuela, disse ela ao pontífice, segundo um comunicado da oposição. "Pedi a ele que intercedesse por todos os venezuelanos que permanecem sequestrados e desaparecidos", afirmou.
Corina Machado passou mais de um ano na clandestinidade na Venezuela, de onde saiu em uma operação hollywoodiana para receber o Nobel em Oslo.
- 'Somos contra' -
Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram levados a Nova York para enfrentar um julgamento por narcotráfico.
Delcy iniciou mudanças modestas em seu gabinete. Incluiu um membro do círculo de segurança de Maduro, que se chegou a acreditar que teria morrido no bombardeio, como ministro do Gabinete da Presidência.
Também nomeou outro militar no ministério responsável pelo meio ambiente.
A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, informou, por sua vez, que manteve uma conversa telefônica com Trump na qual expressou sua reprovação da operação de 3 de janeiro que deixou mais de 100 mortos entre civis e militares.
"Perguntou-me qual era a nossa posição a respeito da Venezuela e lhe disse que é a posição pública", que "somos contra as intervenções militares", afirmou Sheinbaum em sua coletiva de imprensa.
À ofensiva na Venezuela se soma a diatribe contra Cuba, um aliado histórico do chavismo. Trump anunciou um corte das ajudas petrolíferas da Venezuela à ilha e exortou as autoridades cubanas a chegarem a um acordo com Washington "antes de que seja tarde demais".
Mas, por ora, "não existem conversas" em curso, respondeu o presidente cubano Miguel Díaz-Canel.
- 'Cumpram a palavra' -
Familiares de presos políticos instalam um acampamento em frente à prisão de Rodeo I, nas imediações de Caracas.
Passaram quatro dias desde o anúncio de libertações, sem que tenham recebido informação sobre seus familiares presos. As barracas e colchões que receberam como donativos buscam melhorar as condições precárias nas quais esperam impacientes ao relento, sem nenhum tipo de segurança.
"Libertem todos os presos políticos", diz uma faixa preta com letras brancas, localizada na cabeceira de 12 tendas dispostas em duas fileiras paralelas.
Esse número sobre para 54 se forem incluídos balanços de partidos opositores e outras ONGs.
Os familiares também se reúnem em frente ao Helicoide em Caracas, uma prisão do serviço de inteligência venezuelano que ativistas de direitos humanos e a oposição denunciam como um centro de tortura.
"Se eles deram o passo de oferecer a libertação de todos os presos políticos, só estamos pedindo que cumpram a palavra", protestou Manuel Mendoza, pai de José Daniel Mendoza, detido há dois anos e meio.
D.Bachmann--VB