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Trump decreta proteção de receitas do petróleo da Venezuela
O presidente Donald Trump determinou neste sábado (10) uma proteção de embargo para as receitas derivadas do petróleo venezuelano nos Estados Unidos, uma semana depois da ação militar que levou à deposição forçada de Nicolás Maduro.
O chavismo, por sua vez, convocou uma "grande marcha" para pedir a liberdade de Maduro e sua esposa, Cilia Flores, capturados na operação militar e presos nos Estados Unidos.
O céu de Caracas tingiu-se de amarelo na madrugada de 3 de janeiro pelo clarão das bombas que caíram naquela noite, para surpresa de todos os venezuelanos. Mais de 100 pessoas morreram, entre civis e militares, segundo números das autoridades locais.
Delcy Rodríguez assumiu o poder de forma interina. A ex-vice-presidente de Maduro promete "resgatar" o mandatário deposto, ao mesmo tempo que firmou acordos energéticos com Washington e iniciou um processo para retomar as relações diplomáticas entre os dois países, rompidas em 2019.
Também prometeu libertar presos políticos, mas esse processo avança a conta-gotas.
Trump disse que está "no comando" da Venezuela, incluindo as maiores reservas de petróleo do planeta que o país sul-americano possui: assegurou que terá controle das vendas e que escolherá as empresas americanas que vão reativar a indústria com investimentos de até 100 bilhões de dólares (R$ 537 bilhões).
O decreto deste sábado coloca sob proteção especial as receitas venezuelanas, incluindo as petrolíferas depositadas nos Estados Unidos, para que não possam ser embargadas.
Trump busca "promover os objetivos da política externa americana", explicou a Casa Branca em uma nota informativa que acompanha a ordem executiva.
O presidente americano descartou por ora uma "segunda onda de ataques" à Venezuela, mas mantém a pressão no Caribe, onde apreendeu um quinto navio com petróleo venezuelano que tentava "se esquivar das forças americanas".
- 'Vamos resgatá-lo' -
O partido de Maduro tem convocado todos os dias, desde o sábado passado, mobilizações de repúdio à captura de Maduro. O mandatário deposto enfrenta um julgamento em Nova York por narcotráfico.
Há exatamente um ano, Maduro tomou posse para um terceiro mandato após eleições questionadas pela oposição, os Estados Unidos e outros países, que exigiram -- sem sucesso -- a apresentação das atas eleitorais.
Centenas de pessoas começavam a se juntar lentamente nos pontos de encontro em dois bairros populares no leste e no oeste de Caracas, constatou a AFP. O dia estava chuvoso.
"Não vamos descansar nem um minuto até termos de volta o presidente", disse Delcy Rodríguez em um ato prévio transmitido na televisão. "Vamos resgatá-lo, é claro que sim".
"Delcy, avance, você tem a minha confiança", repetiam os presentes.
O governo de Delcy denuncia que Maduro foi "sequestrado" e afirma governar sem a influência de Trump, enquanto promove uma virada na conturbada relação com os Estados Unidos.
Uma missão de diplomatas americanos visitou Caracas na sexta-feira para avaliar uma "retomada gradual" dos vínculos. Não está claro se mantiveram alguma reunião com Delcy Rodríguez. Seu gabinete não respondeu aos pedidos da AFP por um posicionamento.
Por ora, a aproximação não prevê uma mudança de regime. Diante disso, Edmundo González Urrutia, candidato opositor nas últimas eleições e exilado na Espanha, pediu o "reconhecimento explícito" de sua vitória no pleito de 2025, que, na sua opinião, Maduro lhe tirou de forma fraudulenta.
Sua mentora, a líder da oposição e ganhadora do Nobel da Paz, María Corina Machado, será recebida por Trump na próxima semana. Em um primeiro momento, o presidente americano a excluiu de seu plano para a Venezuela, que vivenciou uma de suas piores crises econômicas durante o governo Maduro.
- A conta-gotas -
No entanto, 48 horas depois do anúncio de libertações, nem sequer 20 pessoas haviam saído da prisão, apontam.
Não há números oficiais. A ONG Foro Penal reporta 14 libertados, enquanto a principal coalizão opositora diz que há 17, entre eles, o ex-candidato presidencial Enrique Márquez e a ativista de direitos humanos Rocío San Miguel.
Dezenas de famílias estão há dois dias passando a noite do lado de fora de centros de detenção como El Rodeo I, nas imediações da capital, à espera de notícias. Os agentes penitenciários afirmam não saber de nada.
Este sábado foi dia de visita e muitos mantiveram o protocolo que cumpriram por anos: levaram produtos de higiene, que entregaram aos agentes, entraram, foram encapuzados e viram seu parente preso através de um vidro.
Os detidos comemoraram ao tomarem conhecimento da queda de Maduro. "O pior já passou", disse à sua esposa um dos reclusos, diante dos guardas fortemente armados.
"Não foi alcançado nem sequer 1% das libertações anunciadas", escreveu na rede X González Urrutia, que não tem notícias de seu genro, condenado à pena máxima de 30 anos de prisão por "terrorismo".
M.Vogt--VB