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Rússia diz que vai considerar como alvo toda presença militar ocidental na Ucrânia
A Rússia criticou, nesta quinta-feira (8), o plano europeu de garantias de segurança para a Ucrânia e advertiu que vai considerar como "alvo legítimo" toda presença militar ocidental no país.
A reação de Moscou esfria as esperanças de que a iniciativa possa aproximar o fim do conflito mais mortal na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, que dura quase quatro anos.
A Rússia continua bombardeando a Ucrânia, mirando em particular em infraestruturas de energia do país. Mais de meio milhão de famílias ficaram sem água e calefação nesta quinta-feira em meio a temperaturas congelantes, após ataques noturnos com drones.
"As novas declarações militaristas da chamada Coalizão dos Voluntários e do regime de Kiev constituem juntos um genuíno 'eixo da guerra'", declarou, nesta quinta, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo, Maria Zakharova.
Os membros da Coalizão dos Voluntários se comprometeram, na terça-feira, durante uma reunião em Paris, a aportar garantias "robustas" de segurança para Kiev, incluindo a mobilização de uma "força multinacional" apoiada pelos Estados Unidos, em caso de trégua.
Não foram dados detalhes sobre esta força, embora França, Reino Unido e Espanha tenham expressado sua disposição em enviar tropas para esta missão.
"Todas estas unidades e instalações serão consideradas alvos legítimos para as forças armadas russas. Estas advertências têm sido feitas repetidamente no mais alto nível e seguem sendo válidas", declarou Zakharova.
A Rússia advertiu em várias ocasiões que qualquer mobilização militar ocidental na Ucrânia constitui uma linha vermelha.
Os Estados Unidos não assinaram a declaração. No entanto, o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, informou, nesta quinta-feira, que o documento está "praticamente pronto" para ser apresentado ao presidente americano, Donald Trump, para sua aprovação.
- Mais de um milhão de famílias sem luz e água -
No terreno, os ataques russos na Ucrânia durante a noite deixaram mais de um milhão de famílias sem água e calefação na região de Dnipropetrovsk, no centro do país, segundo as autoridades.
Assim como nos invernos anteriores, a Rússia intensificou seus ataques às instalações de energia da Ucrânia, o que Kiev e seus aliados qualificam como estratégia deliberada contra a população civil.
A infraestrutura energética crítica de Dnipropetrovsk sofreu danos durante o ataque, segundo o governador da região, Vladyslav Gaivanenko.
"A situação é difícil", mas quando a segurança permitir, o serviço será restabelecido, publicou Gaivanenko na plataforma Telegram.
A força aérea ucraniana deu conta de ataques russos com 97 drones. Setenta foram derrubados pelo sistema de defesa aérea, mas 27 atingiram vários lugares, acrescentou.
Desde que Washington apresentou, no fim de novembro, um plano para pôr fim ao conflito, os esforços neste sentido por parte da Rússia e da Ucrânia se intensificaram, sobretudo entre Kiev e seus aliados ocidentais.
A Rússia segue exigindo que as forças ucranianas se retirem de 20% da região de Donetsk que ainda controlam, e que a Ucrânia se comprometa juridicamente a não entrar na Otan.
No fim de dezembro, o presidente russo, Vladimir Putin, assegurou que alcançaria seus objetivos, seja pela via diplomática ou pela força.
No terreno, as tropas russas - mais numerosas e melhor equipadas - seguem avançando. O Ministério da Defesa russo anunciou, nesta quinta-feira, a tomada da cidade de Bratske, no sul da região de Dnipropetrovsk.
A.Kunz--VB