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Presidente do Irã ordena forças de segurança a não reprimir manifestantes
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, ordenou, nesta quarta-feira (7), às forças de segurança que não reprimam os protestos e distinguiu entre os manifestantes e aqueles que chamou de "vândalos".
Pezeshkian não é a figura mais importante do governo da república islâmica, representada pelo líder supremo, aiatolá Ali Khamenei.
Mas o fato de Pezeshkian ter se sentido obrigado a ordenar que as forças de segurança mostrem moderação é interpretado como um sinal de que o governo está preocupado.
O país vive seu décimo primeiro dia de uma onda de protestos contra as dificuldades econômicas provocadas pelo aumento dos preços e pelo colapso da moeda.
Em um vídeo publicado pela agência de notícias Mehr após uma reunião do gabinete, o vice-presidente Mohammad Jafar Ghaempanah disse que Pezeshkian "ordenou que não fossem adotadas medidas de segurança contra os manifestantes".
"Quem porta arma de fogo, facas, facões e ataca delegacias e locais militares são vândalos, e é preciso distinguir entre manifestantes e vândalos", acrescentou Ghaempanah.
As forças de segurança mataram ao menos 27 manifestantes, informou, na terça-feira, a ONG Iran Human Rights (IHR), com sede na Noruega.
Os meios de comunicação iranianos, citando fontes oficiais, relataram 13 mortes, incluindo membros das forças de segurança e um policial.
O general Amir Hatami, comandante do exército iraniano, alertou que Teerã não tolerará ameaças externas.
Segundo a agência de notícias Fars, Hatami disse que "se o inimigo cometer um erro", a resposta do Irã seria mais contundente do que durante a guerra de 12 dias com Israel, em junho de 2025.
Nos últimos dias, o presidente americano, Donald Trump, ameaçou intervir no Irã "se começar a matar pessoas como fez no passado" e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, expressou seu apoio aos protestos.
As manifestações não atingiram a magnitude do movimento de 2022-2023 nem dos protestos em massa de 2009 que se seguiram à eleição.
Ainda assim, o movimento, que começou em 28 de dezembro em um mercado de telefones celulares, afeta ou já afetou pelo menos 45 cidades, segundo o levantamento da AFP com base em anúncios oficiais e da mídia.
F.Mueller--VB