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Trump afirma que Venezuela entregará milhões de barris de petróleo aos EUA
O presidente americano, Donald Trump, afirmou que a Venezuela entregará milhões de barris de petróleo aos Estados Unidos, dias após a captura do presidente deposto Nicolás Maduro e sua detenção nos Estados Unidos.
O magnata republicano disse que entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo venezuelano de "alta qualidade" serão enviados para portos americanos e vendidos a preço de mercado, o que poderia superar US$ 2 bilhões (R$ 10,7 bilhões) nos preços atuais.
"Esse dinheiro será controlado por mim", escreveu na terça-feira em sua plataforma Truth Social.
Não está claro se a nova presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, concordou em entregar esse petróleo, nem como esse plano funcionaria ou em que base legal. As autoridades venezuelanas não responderam imediatamente aos pedidos de comentários da AFP.
O anúncio contribuiu para a redução dos preços mundiais. Já em queda de 2% no dia anterior, o petróleo bruto continuou sua tendência de baixa nesta quarta-feira nos mercados asiáticos, caindo cerca de 1%.
Analistas afirmam que os envios anunciados por Trump reduzem o risco de Caracas ter que cortar a produção devido à sua limitada capacidade de armazenamento, o que alivia as preocupações com o abastecimento.
Isso ocorre em um momento em que este mercado permanece bem abastecido após a Opep+ ter concordado em aumentar a produção.
A Venezuela, cujo petróleo está sujeito a sanções dos EUA, detém aproximadamente um quinto das reservas mundiais, cerca de 303 bilhões de barris, principalmente petróleo bruto pesado e extrapesado.
Mas especialistas observaram que um rápido aumento em sua produção de quase um milhão de barris por dia será dificultado por fatores como infraestrutura obsoleta, preços baixos e incerteza política.
"Não há nenhum agente externo" -
Rodríguez era vice-presidente de Maduro desde 2018 até a operação militar de 3 de janeiro, que deixou dezenas de mortos, incluindo 55 militares cubanos e venezuelanos que faziam parte da equipe de segurança do líder deposto.
Naquele sábado, forças especiais americanas capturaram Maduro e sua esposa, Cilia Flores, e os levaram para Nova York, onde são acusados de tráfico de drogas e outros crimes.
Desde a operação, Trump afirmou que está "no comando" da Venezuela e que as petroleiras americanas controlarão suas reservas de petróleo, as maiores do mundo.
Ele também alertou Rodríguez de que ela "pagará um preço muito alto" se não seguir a agenda de Washington: ceder o controle da indústria petrolífera e se distanciar de Cuba, China, Irã e Rússia.
Na posse, com o reconhecimento crucial dos militares, a nova líder defendeu a manutenção de uma relação equilibrada e respeitosa com Washington, mas também afirmou que governará sem influência externa.
"O governo venezuelano rege no nosso país, ninguém mais. Não há nenhum agente externo governando a Venezuela, é o governo da Venezuela", enfatizou na terça-feira.
- Exercício de equilibrismo -
O presidente americano insinuou que foi sua decisão manter Rodríguez no comando do governo, sem considerar, por ora, a possibilidade de entregar o poder à oposição liderada pela ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado.
Especialistas apontam que, para se manter no poder, Rodríguez terá que encontrar um equilíbrio delicado entre atender às exigências de Trump e reorganizar o chavismo sem Maduro.
Por enquanto, manteve em seu gabinete os influentes ministros do Interior, Diosdado Cabello, e da Defesa, Vladimir Padrino López, figuras-chave do governo anterior. Seu mandato interino tem duração máxima de 180 dias, após os quais o governo deverá convocar eleições.
"O principal objetivo é ganhar tempo para consolidar a reorganização e aproveitar o fato de que as exigências e condições de Washington estão focadas na questão do petróleo, que também levará algum tempo para ser finalizada", afirmou o analista político Mariano de Alba.
- "Prisioneiro de guerra" -
Perante um tribunal de Nova York, o presidente deposto declarou-se inocente das acusações de tráfico de drogas e alegou ser um "prisioneiro de guerra". "Sou um homem decente, ainda sou o presidente do meu país", afirmou em juízo, antes de ser interrompido pelo juiz.
Em uma conferência com parlamentares republicanos, Trump o descreveu como "um sujeito violento" que "matou milhões de pessoas".
As autoridades americanas acusaram Maduro de liderar o "Cartel dos Sóis", uma suposta organização de tráfico de drogas que Washington classificou como um grupo "terrorista".
No entanto, na nova acusação contra Maduro e sua esposa, o Departamento de Justiça removeu a maior parte das referências a essa organização, que agora é definida como um "sistema de clientelismo", segundo reportagens de jornais como El País e The New York Times.
C.Bruderer--VB