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Irã mantém postura firme frente a 'arruaceiros' após ameaças de Trump
A justiça iraniana advertiu, nesta segunda-feira (5), que não terá "nenhuma indulgência" com os "arruaceiros", no nono dia de uma mobilização de protesto e depois que Donald Trump ameaçou intervir em caso de uma repressão mortal.
No domingo, o presidente americano ameaçou "atingir muito fortemente" o Irã se as autoridades do país "começarem a matar gente como fizeram no passado".
A mobilização de protesto, inicialmente vinculado ao custo de vida, começou em 28 de dezembro em Teerã e desde então se espalhou para o restante do país com demandas políticas.
Atualmente, alcança pelo menos 45 cidades, principalmente pequenas e médias, situadas sobretudo no oeste do país, segundo um balanço da AFP baseado em anúncios oficiais e veículos de imprensa.
"Ordeno ao procurador-geral e aos promotores de todo o país a agirem conforme a lei e com determinação contra os arruaceiros e quem os apoiam (...) E não mostrar nenhuma indulgência, nem complacência", declarou o chefe do poder judicial, Gholamhossein Mohseni Ejei, na segunda-feira.
"A República Islâmica escuta os manifestantes e os críticos e faz uma distinção dos arruaceiros", acrescentou.
Policiais e unidades anti-distúrbios foram mobilizados nesta segunda-feira nos principais cruzamentos de Teerã, constatou um correspondente da AFP.
Também havia agentes em frente a algumas escolas, enquanto várias universidades só dão aulas online. A maioria dos comércios, ao contrário, estava aberta na capital nesta segunda-feira.
A agência de notícias do poder judiciário, Mizan, reportou, nesta segunda, que os serviços de inteligência da polícia de Teerã tinham apreendido "armas, munições e material para fabricar artefatos explosivos caseiros" em um esconderijo.
Ao menos 12 pessoas morreram desde o início dos protestos em confrontos localizados, inclusive membros das forças de segurança, segundo um balanço feito com base em anúncios oficiais.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, destacou "a necessidade de evitar mais vítimas" e considerou que "todos os indivíduos devem poder se manifestar pacificamente", informou seu porta-voz.
Autoridades e veículos de imprensa iranianos não reportam todos os incidentes de forma detalhada, o que complica a avaliação dos fatos. Vídeos da mobilização circulam nas redes sociais, mas nem todos podem ser verificados.
O rial, a moeda nacional, perdeu mais de um terço de seu valor perante o dólar em um ano. Além disso, uma hiperinflação de dois dígitos corroeu durante anos o poder aquisitivo dos iranianos.
G.Schmid--VB