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Protestos contra alto custo de vida deixam ao menos 6 mortos no Irã
Confrontos entre manifestantes e forças de segurança deixaram ao menos seis mortos no Irã, reportou nesta quinta-feira (1º) a imprensa local, no contexto dos protestos contra o alto custo de vida que sacodem o país.
A mobilização começou no domingo na capital, Teerã, onde comerciantes fecharam suas lojas para protestar contra a hiperinflação, a desvalorização da moeda e a estagnação econômica, antes de se estender a universidades e outras regiões do país.
A República Islâmica sofre há anos com o encarecimento e a escassez desenfreada de produtos básicos e uma desvalorização crônica de sua moeda. Em dezembro, os preços aumentaram, em média, 52% em comparação com o ano anterior, segundo o Centro de Estatísticas.
Na quinta-feira, foram registrados confrontos em cidades médias com dezenas de milhares de habitantes.
Em Lordegan (sudoeste), dois civis morreram, informou a agência de notícias Fars, que relatou confrontos, pedradas e atos de vandalismo nessa cidade situada a 650 quilômetros de Teerã.
A agência também mencionou "danos significativos" e a detenção de várias pessoas.
Em Azna, cidade da província do Lorestão, também no oeste, outras três pessoas morreram em confrontos entre as forças de segurança e os manifestantes, reportou a Fars.
"Um grupo de agitadores aproveitou um protesto [...] para atacar uma delegacia de polícia. Três pessoas morreram e outras 17 ficaram feridas nos confrontos", noticiou a agência, aparentemente se referindo a civis.
Além disso, um membro das forças de segurança morreu em confrontos em Kuhdasht, também no oeste.
Membro do Basij, com 21 anos, ele "defendia a ordem pública", reportou a TV estatal, citando o governador local, que mencionou "pedradas" que deixaram 13 policias feridos.
O Basij é uma milícia paramilitar integrada por voluntários, afiliados à Guarda Revolucionária, o exército ideológico da República Islâmica.
- 'No inferno' -
Até o momento, o movimento é menos expressivo do que as grandes manifestações que abalaram o Irã no fim de 2022 após a morte sob custódia da jovem iraniana Mahsa Amini.
Seu falecimento, após ser detida por supostamente infringir o rigoroso código de vestimenta do país, provocou uma onda de indignação na qual morreram centenas de pessoas, incluindo dezenas de membros das forças de segurança.
Diante da mobilização atual, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, fez uma advertência ao governo nesta quinta-feira.
"De um ponto de vista islâmico [...], se não resolvermos o problema dos meios de subsistência das pessoas, acabaremos no inferno", disse ele em um discurso transmitido pela TV.
O governo tem tentado enviar mensagens tranquilizadoras, admitindo as "demandas legítimas" da população devido às dificuldades econômicas.
- 'Resposta firme' -
No entanto, o procurador-geral da República Islâmica, Mohammad Movahedi-Azad, alertou que "qualquer tentativa" de transformar os protestos "em um instrumento de insegurança, de destruição de bens públicos ou da instalação de cenários concebidos no exterior será inevitavelmente seguida de uma resposta [...] firme", segundo declarações suas citadas pela TV estatal.
Na noite de quarta-feira, a agência de notícias Tasnim noticiou que sete pessoas foram detidas por pertencerem a "grupos hostis à República Islâmica radicados nos Estados Unidos e na Europa".
A Tasnim acusou essas pessoas de tentarem "transformar as manifestações em violência", mas não informou nem onde, nem quando ocorreram as detenções.
A moeda nacional, o rial, perdeu no último ano mais de um terço de seu valor perante o dólar, enquanto a hiperinflação de dois dígitos corrói há anos o poder aquisitivo dos iranianos.
A.Ruegg--VB