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Ataque russo deixa 21 mortos em Kiev e ameaça esforços de paz
Ao menos 21 pessoas morreram em Kiev, entre elas quatro menores, em um dos maiores ataques aéreos russos contra a Ucrânia, que os Estados Unidos consideraram, nesta quinta-feira (28), uma ameaça aos esforços de paz de Donald Trump.
A Rússia continuava bombardeando cidades ucranianas, apesar do impulso do presidente americano para encerrar a guerra - iniciada pela invasão russa à Ucrânia em fevereiro de 2022 -, que até o momento não trouxe resultados concretos.
Trump "não estava feliz" com a notícia dos ataques à capital ucraniana, mas "tampouco estava surpreso", descreveu a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt.
A reação do presidente americano foi diferente da do enviado especial para a Ucrânia, Keith Kellogg, que denunciou "ataques cruéis que ameaçam a paz buscada pelo presidente americano".
Segundo o balanço mais recente dos socorristas, 21 pessoas morreram, entre elas quatro menores de idade, e cerca de 50 ficaram feridas.
O ataque atingiu áreas centrais da capital e causou danos importantes à representação da União Europeia (UE) e ao escritório do British Council. Em um bairro do leste de Kiev, equipes de resgate retiraram corpos de um prédio residencial que foi totalmente destruído.
Uma bomba abriu uma cratera em um prédio residencial de cinco andares, que se partiu em dois. Uma creche e um shopping também foram atingidos. "Os vidros voavam (...) Gritamos quando as bombas explodiram", disse Galina Shcherbak, que estava em um estacionamento próximo.
O Exército ucraniano informou que a Rússia usou 598 drones e 31 mísseis, incluindo dois supersônicos Kinzhal, no segundo maior ataque aéreo contra o país desde o início da invasão russa, em fevereiro de 2022.
- 'Terror e barbárie' -
Zelensky chamou o ataque de um "massacre horrível e deliberado de civis". "A Rússia não tem nenhum interesse na diplomacia. Prefere continuar matando a encerrar a guerra", acrescentou o presidente, que pediu novas sanções.
"Já foram violados todos os prazos e dezenas de oportunidades para a diplomacia foram desperdiçadas. A Rússia deve ser responsabilizada por cada ataque, por cada dia desta guerra", insistiu.
O Kremlin, que afirmou ter atacado alvos militares, insistiu em afirmar que segue interessado na diplomacia, mas que seus bombardeios contra a Ucrânia prosseguirão.
"As Forças Armadas russas estão cumprindo sua missão. Continuam atacando alvos militares e paramilitares", declarou o porta-voz da Presidência russa, Dmitri Peskov.
"Ao mesmo tempo, a Rússia continua interessada em prosseguir o processo de negociação para alcançar seus objetivos por meios políticos e diplomáticos", acrescentou.
O ataque contra Kiev ocorre após três anos e meio da invasão russa e com as negociações de paz bloqueadas, apesar da pressão americana.
O edifício da missão da União Europeia em Kiev foi atingido durante os ataques, afirmou o presidente do Conselho Europeu, António Costa, que destacou que o bloco "não se deixará intimidar" pela Rússia.
O escritório do British Council na capital ucraniana também foi "gravemente danificado" no bombardeio, informou a instituição em sua página no Facebook.
Tanto a UE quanto o Reino Unido convocaram seus embaixadores da Rússia. Os governos da França e do Reino Unido condenaram o novo ataque russo.
O presidente francês, Emmanuel Macron, condenou o "terror e a barbárie" russos, enquanto o chefe de governo alemão, Friedrich Merz, afirmou que "a Rússia mostrou sua verdadeira face" com os ataques.
O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, declarou que "ataques contra civis e infraestrutura civil violam o direito humanitário internacional, são inaceitáveis e devem cessar imediatamente".
D.Schlegel--VB