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Bloco da primeira-ministra lidera eleições na Dinamarca
O bloco do Partido Social Democrata, da primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, e seus aliados de esquerda foram os mais votados nas eleições gerais desta terça-feira (24), mas não conseguiram garantir a maioria, segundo pesquisas de boca de urna divulgadas pela imprensa.
As enquetes apontam que o bloco de esquerda conquistaria entre 83 e 86 das 179 cadeiras no Parlamento, e o bloco de direita, entre 75 e 78. O partido centrista Moderados deve ser decisivo, com 14 cadeiras.
Caso a projeção da rede pública DR se confirme, o Partido Social Democrata, tradicionalmente o mais votado no país, teria seu pior resultado desde 1901, com uma forte queda em relação aos 27,5% do eleitorado que conquistou em 2022, em um contexto no qual o Partido Popular Dinamarquês (DPP), de extrema direita, quase triplicou seus votos e teria obtido entre 7,5% e 7,7%.
Mette Frederiksen era a favorita para um terceiro mandato, graças à sua oposição aos planos do presidente americano, Donald Trump, de tomar o território autônomo da Groenlândia. A social-democrata dirige o governo dinamarquês desde 2019.
Não se esperava que nenhum partido conseguisse a maioria absoluta, por isso estão previstas negociações árduas para formar uma coalizão de governo.
"A futura composição do governo é muito incerta, mas é provável que, no fim, ela esteja à frente do governo", declarou à AFP Elisabet Svane, analista política do jornal Politiken. "As pessoas podem não gostar realmente dela, mas a veem como a líder adequada (...) Uma figura unificadora em um mundo cheio de incertezas, e os dinamarqueses estão bastante ansiosos" com questões como a situação na Groenlândia e a guerra na Ucrânia, destacou.
"As alternativas são piores", comentou a estudante Freja Strandlod, 24, após votar na capital.
As cadeiras do ultramar (Groenlândia e Ilhas Faroé) representam dois deputados cada no Parlamento dinamarquês.
Em Nuuk, capital da Groenlândia, a campanha despertou um interesse maior do que o habitual, e mais de 20 candidatos disputaram as duas vagas em jogo. "Acredito que esta eleição nos mostre, de certa forma, o rumo para o futuro", declarou o deputado do Parlamento local Juno Berthelsen, que lidera a lista do partido autonomista Naleraq, defensor de uma ruptura rápida com Copenhague.
Os principais partidos da Groenlândia apoiam a independência do território, mas os adversários do Naleraq preferem um processo mais moderado de separação da Dinamarca.
- Água potável e imigração -
Na Dinamarca continental, os eleitores afirmam que são pouco influenciados por esse tema. "A Groenlândia faz parte da Dinamarca e também devemos cuidar dela, mas não acho que seja algo em que eu pense na hora de votar", disse Clemens Duval Thomsen, 21.
A campanha abordou principalmente questões nacionais como o custo de vida, o estado de bem-estar social e o meio ambiente. "Os partidos de esquerda conseguiram transformar a água potável em um tema central das eleições", destaca Svane. A água potável é muito rica em nitratos na Dinamarca devido aos despejos da pecuária.
A campanha eleitoral também abordou a imigração, e os social-democratas defendem 18 novas propostas.
A primeira-ministra dinamarquesa defendeu como "justo" o projeto de privar de atendimento médico não essencial qualquer pessoa de origem estrangeira que tenha proferido ameaças ou se mostrado violenta com profissionais de saúde. Mas a legenda de extrema direita Partido Popular Dinamarquês (DF), que defende a suspensão das autorizações de residência permanentes, considera o projeto insuficiente.
C.Stoecklin--VB