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Cada vez mais apagada no cenário mundial, Itália busca soluções para seu futebol
Ausente das duas últimas Copas do Mundo, a Itália pouco se destaca no atual cenário do futebol internacional, às vésperas de enfrentar a Irlanda do Norte na quinta-feira (26), pelas semifinais da repescagem europeia para a Copa do Mundo de 2026.
O declínio da 'Nazionale', tetracampeã mundial (1934, 1938, 1982 e 2006) e bicampeã europeia (1968 e 2021), se explica por diversas razões, segundo seus dirigentes:
. Sem rumo desde 2006
Em 9 de julho, a Itália vai comemorar o 20º aniversário de seu quarto título da Copa do Mundo, conquistado após derrotar a França de Zinedine Zidane numa final épica (1 a 1 nos 120 minutos e 5 a 3 nos pênaltis) em Berlim, na Alemanha.
É um marco que poderá assumir contornos dramáticos para todo o país caso a 'Azzurra' seja reduzida ao papel de mera espectadora no Mundial de 2026, que será realizado nos Estados Unidos, México e Canadá.
Após terminar em segundo lugar em seu grupo nas Eliminatórias, atrás da Noruega, a Itália ainda vê o maior torneio do mundo no horizonte, mas precisa, antes, sobreviver à repescagem, uma fase que acabou sendo fatal tanto em 2018 quanto em 2022.
Se derrotar a Irlanda do Norte em casa na quinta-feira, a seleção italiana viajará cinco dias depois para enfrentar o País de Gales ou a Bósnia.
Há menos de cinco anos, a 'Azzurra' estava no topo do futebol europeu, após conquistar a Eurocopa em Londres, na Inglaterra.
No entanto, o tempo parece sugerir que aquele título foi apenas uma miragem para uma seleção que, com a exceção de sua participação na final da Euro de 2012 e da conquista em 2021, tem decepcionado incessantemente seus 'tifosi': eliminações na fase de grupos nas Copas do Mundo de 2010 e 2014, uma queda nas oitavas de final na última Euro e uma queda para o 21º lugar no ranking da Fifa em agosto de 2018 (atualmente está em 13º).
"Os resultados de hoje são reflexo de 20 anos atrás, daquela era em que dependíamos de nossos astros, Buffon, Cannavaro e Totti... achando que eles durariam para sempre", observou recentemente Gianluigi Buffon, ex-goleiro e atual chefe de delegação da 'Azzurra'.
"Já naquela época, deveríamos ter repensado nossos modelos técnicos e táticos. Em vez disso, agimos como a cigarra [da fábula com a formiga]", lamentou 'Gigi'.
"O futebol mudou ao longo dos últimos 20 ou 30 anos", insistiu Gabriele Gravina, o presidente da Federação Italiana de Futebol, em entrevista ao Corriere dello Sport.
"Já não é aquele estilo de futebol técnico no qual costumávamos reinar soberanos. Continua sendo técnico, certamente, mas a velocidade e, acima de tudo, o aspecto físico se impuseram", acrescentou.
. Problemas na formação
Liderado em diferentes épocas por nomes como Giuseppe Meazza, Gianni Rivera, Paolo Rossi e Roberto Baggio, o futebol italiano não tem produzido, recentemente, talentos que marquem uma geração, como Kylian Mbappé e Lamine Yamal.
"Não é verdade que não existam mais talentos na Itália", argumentou recentemente o ex-técnico da seleção italiana, Cesare Prandelli (2010–14), em entrevista ao Corriere della Sera. "A questão é, simplesmente, que nós os formamos da pior maneira possível".
Segundo Prandelli, o problema que o 'calcio' enfrenta reside na formação dos jogadores.
"Se, dez anos atrás, tivéssemos tido a sorte de contar com um talento como Lamine Yamal, nós o teríamos deixado escapar", avalia o homem que, em 2025, se tornou o primeiro diretor técnico do futebol italiano.
"Nossos treinadores teriam roubado dele a alegria de jogar e de se divertir, entediando o jogador com esquemas táticos ou instruções sobre a ocupação do campo", acrescentou.
Na opinião de Buffon, "é preciso recomeçar da base, entre os sete e os 13 anos de idade. É onde pode haver um verdadeiro impacto".
. Escassez de jogadores italianos na Serie A
"Os proprietários estrangeiros de clubes italianos veem a 'Nazionale' como um estorvo", lamentou recentemente Gabriele Gravina.
Para o dirigente do futebol italiano, assim como para o ex-técnico do Milan Fabio Capello, a seleção italiana está pagando o preço pela preferência da Serie A por jogadores estrangeiros em detrimento dos italianos.
"Até a década de 2010, os melhores do mundo vinham para a nossa liga e serviam como modelos para os nossos próprios jogadores, que dessa forma podiam evoluir", explicou Capello ao La Gazzetta dello Sport na semana passada.
"Hoje em dia, há menos italianos jogando na Serie A, e os jogadores estrangeiros que ocupam suas vagas são de um nível modesto", ponderou o treinador, que também já comandou o Real Madrid.
As estatísticas confirmam a tese: apenas 33% dos jogadores que disputam a Serie A nesta temporada são potencialmente elegíveis para serem convocados para a 'Nazionale'.
Entre as cinco principais ligas da Europa, apenas a Premier League inglesa utiliza menos jogadores 'locais' (29,2%), enquanto a Ligue 1 e a Bundesliga adotam uma abordagem mais protecionista, contando com 37,5% de jogadores franceses e 41,5% de jogadores alemães, respectivamente.
"É inútil lamentar algo a respeito do qual nada pode ser feito", concluiu, no entanto, o técnico da seleção italiana, Gennaro Gattuso.
S.Gantenbein--VB