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Israel ameaça destruir a Cidade de Gaza se o Hamas não concordar com desarmamento e libertação de reféns
O ministro de Defesa israelense, Israel Katz, prometeu nesta sexta-feira (22) destruir a Cidade de Gaza se o Hamas não concordar com o desarmamento, com a libertação de todos os reféns que permanecem no território palestino e encerrar a guerra nos termos do Estado hebreu.
"Em breve, os portões do inferno se abrirão sobre as cabeças dos assassinos e estupradores do Hamas em Gaza, até que eles concordem com as condições de Israel para acabar com a guerra, principalmente a libertação de todos os reféns e seu desarmamento", escreveu o ministro nas redes sociais.
"Se eles não concordarem, Gaza, a capital do Hamas, se tornará Rafah e Beit Hanoun", acrescentou, em referência a duas cidades em Gaza que foram praticamente destruídas durante operações israelenses anteriores.
Na quinta-feira à noite, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, anunciou que ordenou negociações imediatas para libertar todos os reféns que continuam em Gaza.
Netanyahu acrescentou que a pressão para libertar os reféns seria acompanhada da operação para conquistar a Cidade de Gaza e destruir o reduto do Hamas.
Nesta sexta-feira, a Iniciativa de Classificação Integrada de Segurança Alimentar, com sede em Roma, deve publicar os dados mais recentes sobre a fome em Gaza.
Antes da publicação do relatório, o embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, atacou de maneira preventiva as conclusões do documento.
"Vocês sabem quem está morrendo de fome? Os reféns sequestrados e torturados pelos selvagens incivilizados do Hamas", escreveu na rede social X.
"Talvez os terroristas superalimentados possam compartilhar parte dos suprimentos que roubaram com as pessoas famintas, especialmente com os reféns", acrescentou.
- "De mãos dadas" -
No início da semana, o Ministério da Defesa de Israel anunciou que vai convocar 60.000 reservistas para ajudar na operação de tomada da Cidade de Gaza.
"As duas questões - derrotar o Hamas e libertar todos os nossos reféns - seguem de mãos dadas", afirmou Netanyahu em uma mensagem de vídeo, sem revelar detalhes sobre o que implicaria a próxima fase dos diálogos.
A agência humanitária da ONU alertou que o plano israelense de expandir as operações militares na Cidade de Gaza, a maior aglomeração do território, teria um "impacto humanitário terrível" em uma população já exausta.
Os mediadores (Egito, Catar e Estados Unidos) aguardavam há vários dias uma resposta oficial de Israel à proposta mais recente de cessar-fogo, que o Hamas aceitou no início da semana.
Fontes palestinas afirmaram que o novo acordo prevê a libertação gradual dos reféns, enquanto Israel insiste que qualquer pacto deve contemplar a libertação simultânea de todos os sequestrados.
Os planos de Israel de ampliar os combates e tomar a Cidade de Gaza provocaram indignação internacional e oposição interna.
O ataque do grupo islamista Hamas contra Israel em outubro de 2023, que desencadeou o conflito, causou a morte de 1.219 pessoas, a maioria civis, segundo uma contagem da AFP baseada em números oficiais.
Dos 251 reféns capturados durante o ataque, 49 permanecem em Gaza, incluindo 27 que faleceram, segundo o Exército israelense.
As represálias israelenses em Gaza deixaram 62.192 palestinos mortos, a maioria civis, segundo números do Ministério da Saúde de Gaza, que a ONU considera confiáveis.
G.Haefliger--VB