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Ucrânia afirma que capturou dois chineses que lutavam ao lado das forças russas
As tropas ucranianas capturaram dois chineses que lutavam junto às forças russas no front oriental, afirmou nesta terça-feira (8) o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, que pediu explicações ao governo de Pequim.
É a primeira vez que a Ucrânia afirma ter descoberto cidadãos chineses participando do conflito em seu território desde o início da invasão russa há três anos. A China ainda não reagiu.
Segundo informações preliminares, trata-se de pessoas que assinaram "um contrato" com o Exército russo e não de um envio de tropas regulares por parte da China ao front ucraniano, indicou à AFP um alto funcionário ucraniano sob condição de anonimato.
O ministro de Relações Exteriores ucraniano, Andrii Sibiga, disse nas redes sociais que convocou o encarregado de negócios de Pequim em Kiev para pedir explicações.
"Nossos militares capturaram dois cidadãos chineses que lutavam no exército russo", declarou Zelensky nas redes sociais.
Os homens foram descobertos na região ucraniana de Donetsk, durante um confronto que envolveu um total de seis soldados chineses.
"Temos documentos desses prisioneiros, cartões bancários e dados pessoais", acrescentou o presidente ucraniano.
A AFP recebeu do alto funcionário ucraniano cópias de alguns desses supostos documentos, segundo os quais um dos "cidadãos chineses" tem 34 anos, pertence à etnia Han, majoritária na China, e está registrado na cidade de Xinzheng, no centro do país.
Zelensky também publicou um vídeo que supostamente mostra um dos soldados chineses.
Nas imagens, um jovem com uniforme de combate e as mãos atadas tenta descrever a uma pessoa fora do alcance da câmera o que parece ser um confronto do qual participou. Ouve-se ele pronunciar a palavra "commander" (comandante, em inglês).
"Temos informações que indicam que há muitos mais cidadãos chineses nas unidades do ocupante", disse o presidente ucraniano, que denunciou "o envolvimento da China nesta guerra na Europa, direta ou indiretamente" e pediu uma "reação dos Estados Unidos, Europa e todos os que querem paz".
- A posição da China -
A captura de supostos militares chineses "coloca em dúvida a posição que a China defende a favor da paz", afirmou o chanceler Sibiga.
Os homens foram presos "há alguns dias", informou o alto funcionário ucraniano, acrescentando que outros provavelmente morreram em combate.
"A princípio, pensamos que se tratava de norte-coreanos", explicou. "Levou algum tempo para determinar que idioma falavam."
Segundo conclusões "preliminares", "trata-se de cidadãos chineses seduzidos por contratos" com o Exército russo, disse. "Os consideramos militares porque são soldados do exército do ocupante."
"Estamos esclarecendo se têm experiência militar [na China] e o que pensa Pequim", acrescentou o funcionário.
Muitos cidadãos de diferentes países lutam nos exércitos de ambos os lados nesta guerra. Os russos afirmam ter capturado, entre outros, colombianos, britânicos, americanos e australianos nos últimos anos.
De acordo com a Ucrânia, a Coreia do Sul e as potências ocidentais, a Coreia do Norte enviou milhares de soldados para apoiar o exército de Moscou no oblast (região administrativa) russo de Kursk, ocupado parcialmente pelas forças de Kiev desde agosto de 2024.
A China se apresenta como uma parte neutra no conflito, mas tem uma estreita aliança política e econômica com a Rússia, e os membros da Otan afirmam que Pequim é um "facilitador decisivo" da invasão russa, que nunca condenou.
Os países da Otan apontam, em especial, a associação "sem limites" que a Rússia e China exibem e o apoio de Pequim em grande escala à base industrial de defesa russa.
J.Marty--VB