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EUA ameaça jogar a toalha com Rússia e Ucrânia
O chefe da diplomacia dos Estados Unidos, Marco Rubio, advertiu nesta terça-feira (29) que os EUA deixarão de atuar como mediadores para encerrar a guerra na Ucrânia se Moscou e Kiev não apresentarem "propostas concretas".
O presidente Donald Trump havia prometido encerrar a guerra nas primeiras 24 horas após retornar à Casa Branca, mas, ao completar 100 dias no cargo nesta terça, Rubio sugeriu que a administração em breve poderá se concentrar em outras questões.
"Estamos em um momento no qual ambas as partes devem apresentar propostas concretas sobre como pôr fim a este conflito", declarou Tammy Bruce, porta-voz do Departamento de Estado, em coletiva de imprensa.
"Se não houver progresso, daremos um passo atrás como mediadores nesse processo", afirmou Bruce.
Ela acrescentou que, em última instância, cabe a Trump decidir se continuará buscando uma via diplomática.
O presidente russo, Vladimir Putin, propôs um cessar-fogo de três dias por ocasião das comemorações, na próxima semana, do 80º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial, em Moscou. Mas rejeitou um apelo dos Estados Unidos — com o qual a Ucrânia concorda — por um cessar-fogo de 30 dias.
Os Estados Unidos não querem "três dias [de trégua] para celebrar outra coisa", mas sim "um cessar-fogo completo e duradouro e o fim do conflito", disse a porta-voz.
- Pressão -
Ainda não está claro se Rubio está realmente pronto para acabar com o envolvimento dos EUA ou se tenta pressionar os dois países em guerra, especialmente a Rússia, que acredita ter vantagem tanto no campo de batalha quanto na diplomacia, desde a aproximação de Trump com Putin.
Trump, que criticou o apoio de seu antecessor Joe Biden à Ucrânia, se aproximou de Putin após assumir o cargo e o retirou do isolamento internacional em que se encontrava desde que ordenou a invasão da Ucrânia em fevereiro de 2022.
Putin voltou a se reunir na semana passada com o principal enviado de Trump para assuntos internacionais, Steve Witkoff.
Trump, por sua vez, repreendeu publicamente o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, em uma reunião na Casa Branca em 28 de fevereiro, por considerar que ele não agradeceu suficientemente pelas armas fornecidas pelos Estados Unidos.
A Ucrânia tentou rapidamente recuperar terreno e apoiar os esforços diplomáticos americanos, além de negociar um acordo no qual Washington controlaria grande parte da riqueza mineral do país.
Mas Zelensky continua firme em sua recusa a reconhecer formalmente a soberania russa sobre a Crimeia, anexada por Moscou em 2014.
Trump insiste que a Ucrânia já perdeu a Crimeia e que Zelensky deveria abrir mão do território.
Falando por videoconferência em um evento na Polônia nesta terça-feira, Zelensky declarou: "Todos queremos que esta guerra termine de forma justa, sem recompensas para Putin — especialmente sem territórios".
- Conversas fracassadas -
A senadora Jeanne Shaheen, principal democrata no Comitê de Relações Exteriores do Senado, afirmou nesta terça que reconhecer "a anexação ilegal da Crimeia pela Rússia encorajaria novas agressões de Moscou e Pequim".
"Tentei dar ao presidente Trump espaço para negociar uma paz justa e duradoura na Ucrânia, que é um objetivo que ambos compartilhamos", disse ela.
"No entanto, o presidente Trump e sua equipe têm conduzido essas negociações de forma desastrosa, oferecendo concessão após concessão à Rússia, jogando fora nossa influência e fragmentando a frente unida com nossos aliados — que é fundamental para acabar com esta guerra", acrescentou.
A Ucrânia ordenou nesta terça a evacuação de sete vilarejos no oblast (região administrativa) leste de Dnipropetrovsk, que antes estavam afastados da linha de frente, mas agora estão sob ameaça das forças russas.
A Rússia tenta avançar nesse oblast a partir do vizinho Donetsk, mas não obteve sucesso, mesmo após mais de três anos de combates.
Na semana passada, um míssil balístico atingiu uma área residencial de Kiev, em um dos ataques mais mortais à capital ucraniana desde o início da invasão.
Trump, que se orgulha de sua relação com Putin, escreveu em suas redes sociais: "Vladimir, PARE!".
C.Kreuzer--VB