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A NFL fez lobby durante anos para que o futebol americano sem contato (flag football) fosse incluído no quadro dos Jogos Olímpicos, transformando seu jogo das estrelas, o Pro Bowl, em uma exibição dessa variante do esporte, incluindo-o pela primeira vez este ano durante a semana do Super Bowl.
"Acho que é um dos esportes mais populares do mundo", disse o comissário da NFL, Roger Goodell, que desempenhou um papel fundamental na aceleração da inclusão bem-sucedida do flag football nos Jogos de Los Angeles 2028.
"Estamos vendo isso em nível global. E acho que os Jogos Olímpicos serão muito divertidos, porque será uma competição de verdade", acrescentou.
De fato, desde que os donos de times da NFL votaram unanimemente (32 a 0) em maio para permitir que seus jogadores participassem, as maiores estrelas da liga agora estão competindo pela oportunidade de representar os Estados Unidos daqui a dois anos.
O quarterback do New England Patriots, Drake Maye, disse à AFP na quarta-feira que seria uma "honra" participar dos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.
No entanto, o Pro Bowl desta semana, um jogo tradicional de fim de temporada que coloca os melhores jogadores da NFC contra os da AFC, não foi exatamente uma boa publicidade para o flag football.
Apesar da presença de grandes estrelas como Joe Burrow, Jared Goff e Ja'Marr Chase, o jogo rapidamente se transformou em uma farsa. Em determinado momento, Micah Parsons, astro do Green Bay Packers, que estava lesionado, entrou em campo em uma scooter elétrica, para a diversão dos comentaristas oficiais da transmissão.
Isso levanta a questão de saber se os jogadores da NFL levam a sério a participação no flag football nos Jogos e se deveriam jogar, visto que os Estados Unidos já possuem uma equipe amadora nesse esporte que venceu inúmeros campeonatos.
"Sei que seria uma honra e um orgulho jogar. Mas provavelmente existem muitos jogadores com mais chances do que eu", reconheceu Maye.
- "Tive dificuldades" -
Promover o flag football faz parte da importante estratégia da NFL para conquistar novos mercados, incentivando mulheres jovens nos Estados Unidos e fãs ao redor do mundo que poderiam não ter o mesmo ânimo para praticar a forma mais violenta e popular do esporte.
A principal diferença entre o flag football e o futebol americano tradicional está na forma de realizar o tackle: o objetivo é retirar a bandeira que os jogadores levam amarrada na cintura de quem estiver com a bola, ao invés de derrubar o adversário no chão.
Arrancar essas etiquetas de tecido é, por si só, uma habilidade única que os jogadores de flag football praticam incessantemente.
"Tive dificuldades com as bandeiras. Tive dificuldades com as regras de contato", declarou ao The Athletic o cornerback Mike Daniels, que jogou futebol americano universitário antes de migrar para o flag football em 2022.
O flag football é normalmente jogado com cinco jogadores por equipe, em um campo menor.
Os quarterbacks devem lançar a bola em até sete segundos. Os jogadores que estiverem correndo com a bola não podem pular para evitar serem pegos.
"Tive dificuldades com o posicionamento. Tive dificuldades com a velocidade do jogo. Ainda tenho dificuldades para entender o jogo", acrescentou Daniels.
No entanto, os jogadores da NFL entrevistados pela AFP esta semana insistiram que seus colegas profissionais seriam os mais indicados para representar os Estados Unidos neste esporte nos Jogos de Los Angeles 2028, onde qualquer resultado que não seja uma medalha de ouro seria uma vergonha nacional.
"Suas habilidades são as melhores do mundo", disse à AFP o linebacker dos Patriots Chad Muma. "Nós vemos isso todo domingo... os tipos de recepções, os tipos de interceptações defensivas. É algo em que trabalhamos todos os dias".
Em contrapartida, a maioria dos jogadores de flag football tem empregos em tempo integral.
- Tom Brady de volta? -
Com a crescente popularidade do flag football, especialmente no exterior, até mesmo as maiores lendas da NFL estão demonstrando interesse.
Tom Brady anunciou recentemente que retornará aos campos para participar de um evento mundial desse esporte na Arábia Saudita, em março, chamado "Fanatics Flag Football Classic".
Espera-se que estrelas atuais da NFL, como Saquon Barkley e Christian McCaffrey, também participem.
Ao que tudo indica, a competição por essas vagas olímpicas tão desejadas será intensa.
"Quem recusaria a oportunidade de ser um atleta olímpico? É demais, né?", disse o linebacker do Patriots Jack Gibbens.
"Se eu pudesse participar dos Jogos Olímpicos, participaria. Poderia ser qualquer esporte. Eu tentaria polo aquático", concluiu Gibbens.
I.Stoeckli--VB