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Itália e Gattuso querem espantar de vez os fantasmas de 2018 e 2022
Se quiser se classificar para sua primeira Copa do Mundo desde 2014, a Itália vai precisar vencer duas partidas, contra a Irlanda do Norte nesta quinta-feira às 16h45 (horário de Brasília), em Bérgamo, e depois contra País de Gales ou Bósnia, em 31 de março, e assim finalmente deixar para trás os dolorosos fracassos nas repescagens para os Mundiais da Rússia-2018 e do Catar-2022.
Quando vestia a camisa do Milan e da 'Nazionale', poucas coisas intimidavam Gennaro Gattuso.
Como treinador, o campeão da Copa do Mundo de 2006 apresenta um perfil mais moderado. Desde que assumiu o comando da seleção italiana em junho do ano passado, substituindo Luciano Spalletti, ele tem buscado incutir em seu elenco uma mistura de serenidade com uma fome feroz de vencer.
"Uma nação inteira nos aguarda, mas devemos manter a calma, preservar a mentalidade correta e mostrar ao nosso país, e a esta camisa, todo o amor que nutrimos por eles", explicou Gattuso na Vivo Azzurro TV, o canal de televisão da Federação Italiana.
O 'método Gattuso' parece estar dando frutos: desde a sua nomeação, que gerou considerável ceticismo devido aos seus fracassos como técnico de clubes, a 'Squadra Azzurra' disputou seis partidas e venceu cinco.
- Duas derrotas para a Noruega -
É verdade que os italianos não conseguiram superar a Noruega de Erling Haaland, que se classificou diretamente para a Copa do Mundo da América do Norte após uma campanha perfeita (24 pontos em oito jogos, incluindo duas vitórias sobre a Itália: 3 a 0 em casa e 4 a 1 em pleno San Siro), mas a 'Nazionale' deu aos seus torcedores motivos para ter esperança, tendo marcado 19 gols.
"Nossa obsessão deve ser disputar esta Copa do Mundo, voltar ao lugar onde estivemos por tantos anos, muitas vezes como protagonistas", observou Gattuso.
Apesar de sua ilustre galeria de troféus, que conta com quatro títulos de Copa do Mundo (1934, 1938, 1982 e 2006), duas Euros (1968 e 2021) e o status de membro indiscutível da elite mundial, a Itália ocupa atualmente a 13ª posição no ranking da Fifa.
Desde o seu triunfo mundial em Berlim, em 2006, a seleção venceu apenas uma partida de Copa do Mundo: uma vitória por 2 a 1 sobre a Inglaterra, durante a fase de grupos do torneio de 2014, no Brasil, uma competição da qual foi eliminada após disputar apenas três jogos.
Desde então, a 'Azzurra' ficou de fora dos torneios na Rússia e no Catar (após ter disputado todas as Copas do Mundo entre 1934 e 2014, com exceção de 1958), sendo eliminada na repescagem em 2017 pela Suécia (1 a 0 em Estocolmo, 0 a 0 no San Siro) e pela Macedônia do Norte em Palermo (1 a 0) em 2022, dois traumas que ainda pairam sobre a seleção italiana.
- "Não há mais jogos fáceis" -
"Não devemos começar a ver fantasmas ao primeiro sinal de dificuldade" durante a partida contra os norte-irlandeses (que atualmente ocupam a 69ª posição do ranking da Fifa), alertou Gattuso.
"Mas também não devemos repetir o erro cometido contra a Macedônia do Norte há quatro anos. No futebol moderno, não há mais jogos. Qualquer adversário pode nos colocar em apuros. O importante é saber reagir e não desmoronar caso algo de negativo aconteça", declarou 'Rino'.
Os fracassos dos clubes italianos na Liga dos Campeões este ano reacenderam os temores em relação às fases eliminatórias. A Inter de Milão, finalista da Liga dos Campeões em 2023 e 2025, foi eliminada nas oitavas de final pelo modesto Bodo/Glimt, enquanto a Atalanta foi humilhada pelo Bayern de Munique (6 a 1 no jogo de ida e 4 a 1 no de volta).
Mas, para Gattuso, de 48 anos, isso não o afeta.
Para marcar seu retorno ao cenário mundial, ele não revolucionou a 'Nazionale' e em vez disso, se baseia fortemente no mesmo núcleo de jogadores de seus antecessores, Roberto Mancini (2018–23) e Spalletti (2023–25).
Embora tenha considerado chamar novamente Marco Verratti, cuja 55ª e última convocação remonta a junho de 2023, sua lista de convocados para a repescagem não traz surpresas.
"Temos jogadores com fome, rapazes dispostos a fazer qualquer sacrifício", observou ele, como se estivesse descrevendo o Gattuso jogador.
Durante uma coletiva de imprensa nesta quarta-feira, Mateo Retegui, o atacante nascido na Argentina que possui cidadania italiana, afirmou estar plenamente consciente da importância da partida em Bérgamo, onde atuou pela Atalanta durante a temporada 2024–25.
"Conversamos sobre a necessidade de manter a calma e o foco, de não nos apegarmos demais ao passado", declarou. "Sabemos que existe apenas um resultado possível e é a vitória", concluiu.
F.Mueller--VB