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Eleições sob fogo: campanha na Colômbia é ameaçada pela violência
Um veículo blindado percorre em alta velocidade uma estrada montanhosa vigiada por guerrilheiros com fuzis. Cada minuto é perigoso para Esneyder Gómez, candidato indígena ao Congresso da Colômbia, em uma campanha eleitoral sob fogo no departamento de Cauca, no sudoeste do país.
Escoltas desarmados o acompanham por estradas de lama ao lado de outros indígenas nasa que carregam bastões tradicionais. Em outubro, o carro de Gómez foi atingido por uma bala quando retornava de um ato de campanha por uma das cadeiras reservadas às comunidades indígenas nas eleições legislativas de 8 de março.
Embora não tivesse ameaças recentes, guerrilheiros o declararam alvo há uma década por seu trabalho como defensor de direitos humanos.
Semanas antes do ataque, o senador de direita Miguel Uribe morreu em Bogotá vítima de um atentado, em um episódio de violência política que não ocorria havia quase três décadas. Ele pretendia disputar as eleições de 31 de maio para suceder o presidente de esquerda Gustavo Petro.
A escalada de ataques tornou este processo eleitoral um dos mais violentos desde o desarmamento das Farc, que assinaram um acordo de paz em 2016. Dissidentes do acordo e outros grupos ligados ao narcotráfico continuam operando.
O risco "está latente", afirma Gómez. "O pós-conflito está sendo muito mais forte do que o próprio conflito", acrescenta o dirigente de 46 anos.
Em 2025, quando começaram as campanhas, ao menos 61 líderes políticos foram assassinados, segundo a Missão de Observação Eleitoral (MOE), que não informa quantos eram candidatos. Para estas eleições, quase um terço do território está sob ameaça da violência.
- "O sangue ferve" -
Após o magnicídio de Uribe, ocorreram outros ataques, como o sequestro por algumas horas da legisladora Aida Quilcué, também indígena de Cauca. O ministro da Defesa, Pedro Sánchez, anunciou o envio de militares para garantir eleições "seguras".
Petro enfrenta críticas por sua tentativa frustrada de negociar a paz com grupos armados que se fortaleceram durante seu governo.
A violência política remete aos anos 1980 e 1990, quando cinco candidatos presidenciais foram mortos em meio ao terror de narcotraficantes como Pablo Escobar.
Segundo Gómez, no Alto Naya, base econômica da região, até pouco tempo era possível "andar mais tranquilos" após o acordo de paz. Hoje, dissidentes das Farc financiados pela produção de cocaína impõem "controle territorial".
Ele viu "cair muitos, muitos companheiros" nas mãos de homens armados. "Dá impotência, dá raiva (…) o sangue ferve", lamenta. Cartazes na região proclamam "61 anos de luta". Em postos de controle, rebeldes armados exigem identificação; câmeras não são bem-vindas.
- "Sistemático" -
Os escoltas de Gómez, filho de um policial afrodescendente e de uma guerrilheira nasa, andam desarmados para evitar confrontos e priorizam o diálogo. Ele "corre risco" por ser líder social "e ainda mais neste caso como candidato", diz José Yatacué, coordenador dos guardiões nasa.
Moradores valorizam seu trabalho em uma área com pouca presença do Estado. "Temos sido um território esquecido", afirma Luz Dary Muñoz. "O que construímos (…) foi tudo comunitário".
Este será o último período legislativo com cadeiras garantidas a vítimas do conflito, conforme o acordo de paz. Porém, 130 municípios onde os eleitores devem escolhê-las estão sob risco, segundo a MOE.
"Estamos preocupados", diz Miroslav Jenča, chefe da Missão de Verificação da ONU na Colômbia, que considera vital "preservar" essas cadeiras para "os e as representantes" das comunidades historicamente vulneráveis.
Cauca é um ponto crítico. Ali atuam dissidentes liderados por Iván Mordisco, investigado pelo Ministério Público por genocídio contra o povo nasa. O governo denunciou o líder perante o Tribunal Penal Internacional por assassinatos de líderes e recrutamento forçado de crianças.
"Tem sido sistemático", afirma Gómez. "Eles têm se voltado com crueldade contra o povo nasa (…) Isso deve parar".
Em meio à tensão, a votação na região servirá de teste para avaliar se a Colômbia pode realizar eleições livres, equitativas e seguras em todo o território.
F.Fehr--VB