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Primeiro-ministro da França anuncia 'lei de emergência' para apaziguar protestos
O primeiro-ministro da França, Sébastien Lecornu, anunciou, nesta terça-feira (13), uma "lei de emergência agrícola" para apaziguar a ira dos agricultores, que protestam contra o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul.
Há semanas, as manifestações do setor agrícola se multiplicam na França, motivadas por uma doença animal chamada dermatose nodular bovina e pela assinatura, prevista para este sábado, do acordo comercial entre UE e Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, apesar da oposição da França.
Nesta terça-feira, mais de 350 tratores, segundo as autoridades, e 500, de acordo com manifestantes, estacionaram em frente à Assembleia Nacional (Câmara baixa), e os agricultores presentes despejaram várias toneladas de batatas na ponte da Concórdia, no centro da capital.
"A revolta camponesa é retomada hoje e ficaremos aqui até termos respostas. Pedimos para ser recebidos pelo primeiro-ministro", declarou Damien Greffin, vice-presidente da FNSEA, principal sindicato agrícola e que convocou o ato.
Representantes da FNSEA foram recebidos por conselheiros de Lecornu, que horas depois anunciou na rede social X uma série de medidas, entre elas "uma lei de emergência agrícola" para meados do ano.
Sem especificar os detalhes, indicou que teria como prioridades a água, a depredação e os meios de produção, respondendo quase ponto por ponto às reivindicações do sindicato e de seus aliados Jovens Agricultores.
A FNSEA também quer "uma moratória sobre todos os temas relacionados à água" e a "suspensão da última versão" da legislação que regula os planos para a dispersão de fertilizantes, entre outros.
Na sexta-feira, o governo anunciou um pacote de "300 milhões de euros" (1,9 bilhão de reais, na cotação atual) para o setor, após os protestos da semana passada convocados pela Coordenação Rural, segundo principal sindicato agrícola, e pela Confederação Camponesa.
"Estamos no limite. Faz três anos que não geramos renda em nossas propriedades. Os políticos são incapazes de nos dar um rumo", declarou o agricultor Guillaume Moret, de 56 anos, em frente à Assembleia Nacional.
A assinatura do acordo UE-Mercosul, cujo impacto assusta os agricultores e pecuaristas na França, aumentou a pressão sobre o governo francês, em minoria desde 2024 e que enfrentará duas moções de censura esta semana.
bur-sb-meh-tjc/avl/yr/aa/mvv
T.Ziegler--VB