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Opep+ aumentará levemente sua produção de petróleo a partir de novembro
Arábia Saudita, Rússia e outros seis membros-chave da aliança Opep+ decidiram, neste domingo (5), aumentar a produção de petróleo em 137.000 barris diários a partir de novembro, confirmando uma política sustentada desde abril para recuperar cotas do mercado.
Em uma reunião virtual, Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Cazaquistão, Argélia e Omã "decidiram adotar um ajuste da produção de 137.000 barris diários", informou, em um comunicado, a Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep).
A reunião deste domingo confirmou a trajetória iniciada em abril por este cartel de 12 membros, que inclui a Venezuela, e se coordena com outros países petroleiros liderados pela Rússia para formar a aliança Opep+.
Este aumento foi menor do que algumas projeções publicadas por analistas esta semana e é orientado a sustentar os preços e recuperar cotas de mercado perdidas quando alguns membros desta aliança de produtores iniciaram cortes voluntários para sustentar os preços.
"Os países seguirão vigiando e avaliando de perto as condições do mercado", assinalou o grupo no comunicado.
Os países produtores "reafirmaram a importância de adotar uma abordagem cautelosa e manter plena a flexibilidade para pausar ou reverter os ajustes voluntários adicionais de produção".
A reunião virtual foi marcada por especulações durante a semana de analistas do setor, que projetaram que estes oito países que têm a batuta do cartel decidiriam um aumento mais agressivo, de até 500.000 barris por dia.
A secretaria da Opep inclusive emitiu um comunicado na terça-feira, expressando seu "enérgico repúdio" a estes informes da imprensa, que qualificou de "imprecisos e enganosos".
Jorge León, analista da Rystad Energy, explicou à AFP que estes países produtores decidiram "agir com cautela após constatarem o nervosismo do mercado" pelas especulações da imprensa de uma alta maior da produção.
A Opep+ "acalma os ânimos, por enquanto", assinalou León, destacando que o "grupo caminha sobre a corda bamba entre manter a estabilidade dos preços e recuperar cota de mercado" em um contexto de excesso de oferta.
Desde abril, este grupo de países petroleiros aumentaram a produção em 2,5 milhões de barris diários (mbd) no total.
Esta política surpreendeu os mercados, depois que o grupo empreendeu, durante um longo período, cortes voluntários da produção para sustentar os preços.
Nos últimos meses, a Opep+ mudou de estratégia frene à concorrência de outros países produtores, como Estados Unidos, Brasil, Canadá, Guiana e Argentina, cuja produção está perto de "máximos históricos", segundo o último informe mensal da Agência Internacional da Energia (AIE).
No entanto, a AIEA, com sede em Paris, destacou que as perspectivas da demanda global de petróleo "se mantêm praticamente inalteradas", com um crescimento previsto de cerca de 700.000 barris diários tanto para 2025 quanto para 2026.
A Opep é mais otimista e em seus últimos prognósticos, prevê um aumento de 1,3 milhão de barris diários em 2025 e de 1,4 milhão de barris diários em 2026.
Neste contexto, as expectativas de um aumento maior das cotas de produção do grupo derrubou o preço do barril de Brent, uma referência mundial, que caiu abaixo dos 65 dólares na sexta-feira, acumulando perdas de 8% em uma semana.
- Um mal menor para a Rússia -
Para a Rússia, o segundo maior produtor da Opep+ depois da Arábia Saudita, um aumento de mais de 137.000 barris por dia seria difícil de gerenciar, pois o país enfrenta por um lado os custos da guerra na Ucrânia e por outro as sanções ocidentais que impactam seu setor energético.
Este aumento é "administrável" para a Rússia, avaliou León, detalhando que uma alta três ou quatro vezes maior teria sido difícil e poderia abrir um racha na coesão da Opep+.
Homayoun Falakshahi, especialista da Kpler, disse à AFP que atualmente a Rússia produz cerca de 9,25 milhões de barris diários (mbd) e tem uma "capacidade máxima de produção de 9,45 milhões de barris diários", em comparação com os aproximadamente 10 mbd que produzia antes da guerra.
B.Wyler--VB