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Trump anuncia novas tarifas, incluindo uma taxa de 100% sobre produtos farmacêuticos
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reavivou na quinta-feira sua guerra comercial global com o anúncio de novas tarifas de até 100% sobre produtos farmacêuticos, além de taxas sobre caminhões pesados e móveis fabricados no exterior.
A medida anunciada no final da noite de quinta-feira é a política comercial mais severa do republicano desde a imposição de tarifas recíprocas em abril a praticamente todos os parceiros comerciais dos Estados Unidos no mundo.
A partir de 1º de outubro, "vamos impor uma tarifa de 100% sobre qualquer produto farmacêutico de marca ou patenteado, a menos que uma empresa ESTEJA CONSTRUINDO sua fábrica de produtos farmacêuticos nos Estados Unidos", escreveu Trump em sua plataforma Truth Social.
Michael Wan, economista do banco japonês MUFG em Singapura, considera que, embora a definição de Trump "seja ambígua, partimos do princípio de que não incluirá os remédios genéricos enviados por países como a Índia".
A Federação Europeia de Indústrias Farmacêuticas (Efpia) afirmou que a implementação de novas tarifas americanas sobre medicamentos "criaria a pior das situações". Também recordou que os impostos "aumentam os custos, perturbam as cadeias de abastecimento e impedem que os pacientes obtenham tratamentos vitais".
A Austrália, que exportou produtos farmacêuticos por um valor estimado de 1,35 bilhão de dólares (7,2 bilhões de reais) para os Estados Unidos em 2024, considerou que a decisão não é benéfica para os consumidores americanos.
"Compramos muito mais produtos farmacêuticos dos Estados Unidos do que eles compram de nós (...) Não é benéfico para os consumidores americanos impor um preço mais elevado às exportações australianas para os Estados Unidos", afirmou o ministro australiano da Saúde, Mark Butler.
Em outra publicação, Trump anunciou uma tarifa de 25% sobre "todos os 'caminhões pesados' fabricados em outras partes do mundo" para apoiar os fabricantes americanos como "Peterbilt, Kenworth, Freightliner, Mack Trucks e outros".
Entre as empresas estrangeiras que competem com estas montadoras no mercado americano estão a sueca Volvo e a alemã Daimler. As ações dos dois grupos registraram queda após o fechamento das Bolsas europeias na quinta-feira à noite.
O presidente americano disse que as tarifas sobre estes veículos são justificadas "por muitas razões, mas acima de tudo, por motivos de segurança nacional".
No início do ano, o governo Trump abriu uma investigação da Seção 232 sobre as importações de caminhões para "determinar os efeitos sobre a segurança nacional", o que preparou o caminho para o anúncio de quinta-feira.
- Temores sobre a inflação -
O magnata do mercado imobiliário também anunciou tarifas sobre materiais para reforma de casas. "Imporemos uma tarifa de 50% em todos os armários de cozinha, móveis de banheiro e produtos associados", escreveu em sua rede social.
A tarifa também entrará em vigor em 1º de outubro.
"Além disso, cobraremos uma tarifa de 30% em móveis estofados", acrescentou.
Segundo a Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos, em 2022 as importações, principalmente procedentes da Ásia, representaram 60% de todos os móveis vendidos, incluindo 86% dos móveis de madeira e 42% de todos os móveis estofados.
As ações dos varejistas Wayfair e Williams Sonoma, que dependem destes produtos importados, desabaram após o anúncio de Trump.
O presidente republicano lidera uma ofensiva tarifária que pretende reduzir o déficit comercial dos Estados Unidos.
O governo Trump impôs uma tarifa básica de 10% para todos os países, com taxas mais elevadas para as nações cujas exportações para os Estados Unidos superam amplamente as importações.
A guerra tarifária reacende os temores sobre a inflação nos Estados Unidos.
Trump deseja reconstruir o setor manufatureiro com políticas protecionistas, em oposição direta às diretrizes modernas do país para manter uma economia aberta e dependente das importações.
K.Hofmann--VB