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Após alerta de Trump, Netanyahu se prepara para discursar na ONU
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, discursará na ONU nesta sexta-feira (26), onde prometeu criticar aqueles que apoiam um Estado palestino, após a advertência de Donald Trump contra a anexação da Cisjordânia.
Netanyahu discursará na Assembleia Geral em Nova York alguns dias após dezenas de países, incluindo França, Reino Unido, Canadá e Austrália, reconhecerem formalmente o Estado da Palestina em uma cúpula sobre o futuro da solução de dois Estados.
Embora pelo menos 151 dos 193 membros da ONU já tenham dado este passo, Netanyahu insiste que "não haverá um Estado palestino".
"Denunciarei os líderes que, em vez de condenar assassinos, estupradores e queimadores de crianças, querem conceder-lhes um Estado no coração da terra de Israel", disse ele antes de viajar para a Assembleia Geral em Nova York.
Além disso, ele já declarou que seu governo planeja expandir os assentamentos judaicos na Cisjordânia ocupada. Seus ministros de extrema direita, Itamar Ben Gvir e Bezalel Smotrich, vão além e pedem a anexação do território.
- "Os perigos de uma anexação" -
Alguns temem uma possível retaliação israelense contra o gesto amplamente simbólico, no momento em que a Faixa de Gaza está sendo devastada por quase dois anos de guerra.
Donald Trump se posicionou publicamente sobre o assunto pela primeira vez na quinta-feira, após se reunir com o chefe de Governo israelense.
"Não permitirei que Israel anexe a Cisjordânia. Não, não permitirei. Isso não acontecerá", declarou.
"Países árabes e muçulmanos deixaram claro ao presidente (Trump) os perigos de qualquer anexação da Cisjordânia e os riscos que isso representaria não apenas para a eventual paz em Gaza, mas também para qualquer paz duradoura", insistiu o ministro das Relações Exteriores saudita, Fayçal bin Farhane.
O discurso ocorrerá em um momento em que as esperanças de paz estão depositadas em um novo plano que Trump apresentou esta semana aos países árabes e muçulmanos.
Segundo uma fonte diplomática familiarizada com a reunião realizada à margem da Assembleia Geral da ONU, este plano inclui 21 pontos, que incluem um cessar-fogo permanente em Gaza, a libertação dos reféns israelenses, a retirada israelense do enclave e um futuro governo em Gaza sem o Hamas, cujo ataque em 7 de outubro de 2023 desencadeou a guerra.
O Exército israelense respondeu com uma ofensiva que deixou mais de 65.400 palestinos mortos, a maioria civis, de acordo com o Ministério da Saúde de Gaza.
- "Estamos aqui para lembrar" -
Privado de visto pelas autoridades americanas, o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, discursou por vídeo na ONU na quinta-feira, repetindo os compromissos assumidos há alguns meses para convencer a França, entre outros, a reconhecer o Estado da Palestina.
"O Hamas não terá nenhum papel a desempenhar na governança e deve entregar suas armas à Autoridade Palestina", afirmou ele com firmeza.
Abbas, presidente da Autoridade Nacional Palestina, que governa a Cisjordânia, também condenou os ataques de 7 de outubro e o antissemitismo, que ele não quer que seja confundido com "a solidariedade à causa palestina".
"Não acho que o que Abbas disse sobre o Hamas tenha qualquer impacto no que Netanyahu dirá na ONU", disse Richard Gowan, do International Crisis Group, à AFP.
"Netanyahu não é apenas contra a ideia de um Estado palestino liderado pelo Hamas, mas contra a ideia de um Estado palestino em geral", acrescentou, antecipando um discurso com um "tom extremamente estridente".
Manifestantes planejavam marchar em Nova York contra Netanyahu, que é alvo de uma ordem de prisão emitida pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) desde o final de 2024 por crimes de guerra e crimes contra a humanidade.
"Criminosos de guerra não merecem paz, não merecem dormir. Estamos aqui para lembrá-los, a cada minuto, a cada segundo (...) de tudo o que fizeram", disse Andrea Mirez à AFP, entre outros manifestantes que faziam barulho perto do hotel onde Netanyahu está hospedado.
G.Schmid--VB