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Copom mantém Selic em 15%
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil (BCB) manteve, nesta quarta-feira (17), inalterada em 15% a taxa básica de juros Selic, em um esforço para conter a inflação, que tende a se moderar, mas segue acima da meta oficial.
"O Copom decidiu manter a taxa básica de juros em 15,00% a.a. [ao ano]", informou o BCB em comunicado, uma decisão "compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante".
A Selic registrou sete aumentos consecutivos entre setembro de 2024 e junho de 2025, quando alcançou seu nível atual, o mais alto em quase 20 anos.
"O cenário atual, marcado por elevada incerteza, exige cautela na condução da política monetária", acrescentou.
O comitê disse ainda que "seguirá vigilante" para avaliar se manter o nível atual da taxa de juros "por período bastante prolongado" é suficiente para fazer a inflação (5,13% interanual em agosto) se encaixar na meta de entre 1,5% e 4,5%.
Em julho, o Copom já havia optado por deixar a taxa em 15%, evocando também a necessidade de prudência diante da "incerteza" após as tarifas punitivas de 50% a produtos brasileiros anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Agora, o comitê mantém a postura, mesmo quando a inflação tem se moderado nos últimos meses.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem pedido que o Banco Central, um órgão autônomo, reduza a taxa para estimular a economia brasileira, que cresceu 0,4% no segundo trimestre.
Embora ajude a conter os preços, uma taxa alta encarece o crédito e desestimula o consumo e o investimento.
O Copom disse estar vigilante ao cenário internacional, em especial às decisões do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), que nesta quarta-feira reduziu suas taxas de juros de referência pela primeira vez em 2025, em um quarto de ponto percentual, para 4-4,25%, e prevê dois cortes adicionais neste ano.
- Inflação moderada -
A inflação é uma variável sensível para o governo do presidente Lula, cuja popularidade tem sido afetada nos últimos meses em parte pelos preços dos alimentos.
O indicador situou-se em agosto em 5,13% interanual, com uma ligeira queda em relação aos 5,23% do mês anterior, que também havia mostrado uma leve redução.
No entanto, permaneceu pelo oitavo mês consecutivo fora da banda de tolerância oficial de 1,5% a 4,5%.
Segundo o governo, as tarifas de Trump, que afetam produtos como carne e café, poderiam aumentar a oferta de alimentos no mercado interno e moderar os preços.
O desemprego, por sua vez, caiu para 5,6% no trimestre de maio a junho, o mais baixo em 13 anos.
Especialistas e instituições financeiras consultados pela pesquisa Focus do BCB preveem que a inflação chegará a 4,83% em 2025 e que a taxa Selic se manterá em 15% até o fim do ano.
H.Weber--VB