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Déficit comercial dos EUA cai a mais da metade em abril após tarifas de Trump
Após um forte aumento nos últimos meses, o déficit comercial dos Estados Unidos caiu drasticamente em abril, quando as tarifas impostas pelo presidente Donald Trump entraram em vigor para combater o que ele considera um desequilíbrio comercial.
No quarto mês do ano, a balança comercial de bens e serviços dos EUA registrou um déficit de US$ 61,6 bilhões (R$ 344,73 bilhões), em comparação com US$ 138,3 bilhões (R$ 773,96 bilhões) em março, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (5) pelo Departamento do Comércio.
Foi um mês em que as empresas americanas realizaram importações substanciais para acumular estoques antes do impacto das tarifas.
O déficit comercial em abril foi muito menor do que o esperado pelos analistas, em cerca de US$ 117,2 bilhões (R$ 655,88 bilhões), segundo o consenso publicado pelo briefing.com. É o menor déficit registrado desde agosto de 2023.
O saldo comercial negativo americano aumentou significativamente após as eleições de novembro e a vitória de Trump, que prometeu durante a campanha elevar as tarifas, especialmente para financiar as reduções de impostos atualmente discutidas no Congresso.
O déficit comercial subiu de US$ 73,7 bilhões (R$ 412,44 bilhões) em dezembro para US$ 138,3 bilhões (R$ 773,96 bilhões) em março.
"Não há nenhuma grande surpresa neste relatório; o déficit nominal reduziu drasticamente porque as importações caíram após os picos atingidos no primeiro trimestre, quando as empresas buscavam importar produtos antes da implementação de tarifas", observou em nota o economista-chefe da HFE, Carl Weinberg.
A queda acentuada nas importações, para US$ 351 bilhões (R$ 1,96 trilhão), ou seja, -16,3% em um mês, é o principal fator que explica a redução do déficit.
- Reorganização de fluxos comerciais -
Enquanto isso, as exportações dos Estados Unidos aumentaram mais modestamente, 3%, para US$ 289,4 bilhões (R$1,61 trilhão).
No acumulado de um ano, porém, o déficit comercial subiu US$ 179,3 bilhões (R$ 1,03 trilhão), um aumento de 65,7% em relação ao mesmo período de 2024.
A queda nas importações concentrou-se principalmente em determinados setores, como peças metálicas e veículos pessoais, mas também em preparações farmacêuticas, um setor que pode ser afetado em breve.
Além de setores específicos, os dados de importação mais recentes destacam uma evolução nos fluxos de fornecimento das empresas americanas, com fortes variações observadas de um país para outro.
O Canadá, maior parceiro comercial dos Estados Unidos, mas também um dos principais alvos das tarifas de Trump, viu seu superávit comercial com o vizinho em seu menor nível desde abril de 2021, com as importações mais baixas desde maio de 2021.
O comércio com a China foi gravemente afetado pela guerra comercial, na qual as tarifas entre os dois países atingiram 125% e 145%, respectivamente, antes de uma trégua de 90 dias em meados de maio para negociações.
As exportações e importações entre EUA e China em abril foram as menores desde o início de 2020, durante a pandemia de covid-19, segundo o Departamento do Comércio.
A.Ammann--VB