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Gael García Bernal defende cinema da América Latina e Europa frente a 'hegemonia' dos EUA
Os cinemas latino-americano e europeu compartilham um pensamento crítico "mais necessário do que nunca", diante da polarização social e da "hegemonia" do cinema americano, declarou o ator e cineasta mexicano Gael García Bernal, em entrevista à AFP.
Diante de "uma hegemonia do cinema em inglês, do cinema dos Estados Unidos", as cinematografias da América Latina e da Europa devem se unir em um "diálogo entre esses dois continentes", uma vez que compartilham "certos princípios éticos básicos", como a defesa "do imigrante, do estrangeiro", manifestou o ator na Cidade do México, onde recebeu nesta terça-feira (13) a medalha da Ordem das Artes e das Letras concedida pelo Ministério da Cultura da França.
Desde o salto internacional que representou a estreia do filme "Amores Brutos" no Festival de Cannes, nos anos 2000, até obras como "Sonhando Mesmo Acordado" (2006), do francês Michel Gondry, a França tem um papel-chave na carreira de Bernal.
A condecoração também trouxe ao ator, 47, uma lembrança especial de suas distantes raízes francesas, levadas para o México no século XIX por seu tataravô José Lamarque, de cuja existência ele nunca havia falado, nem mesmo para seus filhos Lázaro e Libertad, presentes na cerimônia, que descobriram ali o vínculo familiar com a França.
A medalha "também é um reconhecimento para sentir que não se está sozinho na luta", porque "precisamos, mais do que nunca, de uma sociedade crítica", para a qual o cinema de ambos os lados do Atlântico pode contribuir, ressaltou Bernal.
"Quando temos momentos espetaculares de filmes europeus que funcionaram bem aqui, ou mexicanos e latino-americanos que funcionaram na Europa, surgem novos parâmetros, um mundo imenso se abre", acrescentou o ator.
- Eliminar 'o discurso único' -
Bernal interpreta atualmente o explorador português em "Fernão de Magalhães", do cineasta filipino Lav Diaz, que estreou no último Festival de Cannes. Também protagoniza o drama de ficção científica "Another End", do italiano Piero Messina.
Ainda assim, ele não deixou de trabalhar na produtora "Canana Films" e no festival para documentários "Ambulante", projetos que iniciou há duas décadas com seu amigo e compatriota Diego Luna, para promover a produção e distribuição de documentários como ferramenta de transformação social.
"O documentário elimina o discurso único", declarou o ator, ressaltando que essa iniciativa "ajudou a refinar o pensamento crítico" e a "entender e digerir melhor a realidade tão complexa em que vivemos".
T.Egger--VB