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Canadense Margaret Atwood, autora de 'O Conto da Aia', publica suas memórias
A renomada escritora canadense Margaret Atwood lança nesta quinta-feira (6) a sua autobiografia, na qual revisita sua infância, suas lutas feministas e o grande sucesso de seu romance "O Conto da Aia".
"Atravesso o tempo que passa e, quando escrevo, o tempo que passa me atravessa", afirma a autora de 85 anos, ao introduzir "Book of lives" (Livro das vidas, em tradução livre), publicado simultaneamente em vários países.
Atwood não esconde que às vezes sua memória falha. "As lembranças podem ser precisas, mas fantasiosas", escreve.
O livro, com quase 700 páginas, relata uma vida repleta de acontecimentos, marcada pela publicação de cerca de 50 romances, ensaios e coletâneas de poemas. A escritora, traduzida para inúmeros idiomas, já recebeu prêmios de grande prestígio, entre eles o Booker Prize britânico.
No final de sua autobiografia, a escritora, uma reconhecida ativista, diz temer que termine "a época otimista" que conheceu, "porque o autoritarismo avança, até mesmo ao sul da fronteira canadense", em referência aos Estados Unidos sob a presidência de Donald Trump.
- "Preocupações atuais" -
Publicado em 1985, "O Conto da Aia" é frequentemente considerado um livro profético, sobretudo após se tornar um sucesso mundial ao ser adaptado para uma série de televisão em 2017.
A distopia descreve os Estados Unidos transformados em uma ditadura patriarcal, "Gilead", onde as mulheres, ainda férteis apesar dos estragos da poluição, tornam-se escravas sexuais a serviço de famílias estéreis.
O traje das "aias", capas vermelhas e toucas brancas, virou um símbolo de oposição a Trump, especialmente durante seu primeiro mandato.
"É verdade que esta obra aterrorizou e comoveu gerações de jovens leitores", reconhece a romancista em suas memórias. Ela esperou mais de três décadas antes de escrever uma sequência, "Os Testamentos", em 2019.
A obra de Atwood está "profundamente enraizada nas preocupações atuais: a crise climática, econômica, social... Mas também possui seu humor e seu senso de intriga", afirma Christine Evain, especialista na autora canadense.
Em suas memórias, a escritora, nascida em Ottawa em 18 de novembro de 1939, relata com nostalgia a juventude atípica com seus pais, um entomologista e uma nutricionista.
Quando criança, desfrutou de grande liberdade ao crescer em meio a uma floresta de Ontário, onde costumava brincar em uma cabana, o que estimulou sua imaginação e seu gosto por histórias.
Atwood escreveu seus primeiros contos aos seis anos, fascinada pelas histórias dos irmãos Grimm, e começou a frequentar efetivamente a escola aos 11 anos.
A.Ruegg--VB