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Papa Leão XIV denuncia 'abismos entre pobres e ricos' durante visita a Mônaco
O papa Leão XIV denunciou neste sábado (28) os "abismos entre pobres e ricos" em seu primeiro discurso durante uma visita relâmpago a Mônaco, um minúsculo principado católico conhecido sobretudo pela vida de luxo.
O pontífice americano, que também tem a cidadania peruana, chegou ao principado pouco depois das 9h00 locais, após uma viagem de helicóptero iniciada em Roma.
Ele foi recebido pelo príncipe Albert II e por sua esposa, Charlène, no heliporto de Mônaco.
O papa seguiu para o Palácio do Príncipe, onde, da varanda, pronunciou uma mensagem com um significado especial neste microestado conhecido por seus cassinos, bilionários e opulência.
Em um discurso em francês, língua oficial de Mônaco, o papa criticou "as configurações injustas do poder, as estruturas de pecado que abrem abismos entre pobres e ricos, entre privilegiados e descartados, entre amigos e inimigos".
"Cada talento, cada oportunidade, cada bem depositado em nossas mãos tem um destino universal, uma exigência intrínseca de não ser retido, e sim redistribuído", acrescentou, em linha com o discurso de seu falecido antecessor Francisco sobre justiça social.
E, em uma clara referência aos conflitos mundiais, criticou que "a ostentação da força e a lógica da prevaricação prejudicam o mundo e ameaçam a paz".
Leão XIV, que passou quase 20 anos como missionário em regiões pobres do Peru, citou em particular a 'Rerum Novarum', encíclica social publicada em 1891 por Leão XIII que estabelece as bases da doutrina social da Igreja.
Milhares de fiéis aplaudiram o pontífice e exibiram bandeiras do Vaticano e de Mônaco. As princesas Stéphanie, Caroline e Charlotte acompanharam a cerimônia
- "Imperativo de solidariedade" -
Viver em Mônaco "representa para alguns um privilégio e, para todos, um chamado específico a questionar o seu lugar no mundo", disse o pontífice.
O príncipe Albert II reconheceu que existe um "imperativo de solidariedade por parte daqueles que têm mais recursos" e destacou que "os pequenos Estados também podem contribuir para melhorar o mundo".
"Nós somos privilegiados, sim, mas as responsabilidades são de todos, inclusive daqueles que não desfrutam desses privilégios", reagiu Marge Valentino, uma italiana de 73 anos que mora em Mônaco. "Somos um povo pequeno e já somos muito generosos", insistiu.
Após um encontro com a comunidade católica na catedral da Imaculada Conceição, Leão XIV seguirá para a praça da igreja de Santa Devota, a padroeira de Mônaco.
Também celebrará uma missa ao ar livre no Estádio Louis II, que deve receber um público de 15.000 pessoas.
Nas reluzentes ruas de Monte Carlo, os cartazes com a imagem do papa contrastam com os carros esportivos e as multidões de turistas, muitos deles sem qualquer informação sobre a visita.
Com o objetivo de superar os estereótipos, as autoridades destacaram as longas relações diplomáticas com a Santa Sé e a dimensão espiritual do país, um dos poucos na Europa em que o catolicismo continua sendo a religião de Estado.
Apenas 8% dos 39.000 habitantes do território de dois quilômetros quadrados - apenas 25% deles com nacionalidade monegasca - se declaram praticantes da fé católica.
A uma semana da Páscoa, a festa mais importante do calendário cristão, a visita permitirá medir a popularidade do pontífice americano, mais discreto que o seu antecessor, o argentino Francisco.
J.Sauter--VB