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Papa Leão XIV faz apelo à 'reconciliação' em visita ao Líbano
O papa Leão XIV chegou ao Líbano, neste domingo (30), com uma mensagem de paz e "reconciliação", e fez um apelo para os libaneses "ficarem" no país, apesar da crise endêmica e da difícil recuperação após a guerra com Israel.
A visita ao país de 5,8 milhões de habitantes é a segunda e última etapa da primeira viagem internacional do pontífice desde que foi eleito em maio. Sua primeira escala foi a Turquia.
Em um discurso no palácio presidencial de Beirute, o papa americano naturalizado peruano instou os libaneses a "ficarem" em seu país, apesar da situação complicada dos últimos anos.
"Tem vezes que é mais fácil fugir ou simplesmente é mais prático ir para outro lado. É preciso ter verdadeira coragem e visão de futuro para ficar ou para voltar ao seu país", disse Leão XIV.
O Líbano enfrenta uma sucessão de crises desde 2019, inclusive um colapso econômico que agravou a pobreza, uma explosão devastadora em 2020 no porto de Beirute, e a recente guerra do movimento islamista Hezbollah com Israel.
Apesar do importante papel político que os cristãos desempenham no país, seu número tem diminuído nas últimas décadas, sobretudo devido à emigração dos jovens.
Na falta de dados oficiais, o centro de pesquisas independente Al Doualiya estima que 800.000 libaneses tenham emigrado entre 2012 e 2024.
O papa também pediu aos libaneses para "tomarem o caminho da reconciliação" para fechar as "feridas pessoais e coletivas" em um país marcado pelas divisões.
- Solução de dois Estados -
Leão XIV, que foi recebido no aeroporto pelo presidente Joseph Aoun, é o primeiro papa a visitar o Líbano desde Bento XVI em 2012.
O Líbano decretou dois dias de feriado por ocasião de sua visita ao país e muitas pessoas estavam nas ruas com a esperança de ver o papa.
"Vim dizer que os libaneses são um povo e estamos unidos", afirmou Zahra Nahla, de 19 anos. "Gostaríamos que ele visitasse o sul", uma área do país devastada pela última guerra com Israel, acrescentou a jovem.
Para chegar ao palácio presidencial, a comitiva do pontífice atravessou os subúrbios do sul de Beirute, redutos do Hezbollah, onde simpatizantes do movimento xiita se aglomeraram na rua para dar boas-vindas ao pontífice.
O Hezbollah pediu no sábado ao papa que rejeite "a injustiça e a agressão" de Israel contra o Líbano.
Apesar do cessar-fogo anunciado há um ano, o Exército israelense intensificou os ataques no país nas últimas semanas, em particular no sul, alegando que seu alvo é o movimento pró-Irã.
Sobre a instabilidade no Oriente Médio, Leão XIV declarou, a bordo do avião papal, que a solução de dois Estados é "a única solução capaz de resolver o conflito" entre israelenses e palestinos.
Desde 2015, o Vaticano reconhece o Estado da Palestina e apoia a solução de dois Estados.
- "Escolha corajosa" -
"A escolha de [viajar para o] Líbano é uma escolha corajosa", disse Hughes de Woillemont, presidente da Obra do Oriente, organização católica que ajuda os cristãos do Oriente.
"O modelo multirreligioso do Líbano se encontra hoje extremamente fragilizado pela lógica do enfrentamento, embora o país conte atualmente com um presidente e um primeiro-ministro que trabalham juntos", acrescentou.
O presidente Aoun é único chefe de Estado cristão do mundo árabe e o chefe de governo, o primeiro-ministro Nawaf Salam, é muçulmano.
O sistema político garante uma paridade única na região entre muçulmanos e cristãos, apesar de a comunidade cristã ter passado a ser minoritária ao longo das décadas.
Aoun assegurou em seu discurso perante o papa que "salvaguardar o Líbano, único modelo de coexistência" entre cristãos e muçulmanos, "é um dever para a humanidade".
Antes de viajar para o Líbano, o papa concluiu, na manhã deste domingo, sua visita de quatro dias à Turquia, onde defendeu a unidade dos cristãos.
Leão XIV encerrou a viagem com uma cerimônia litúrgica solene na catedral ortodoxa de São Jorge em Istambul.
"Neste período de conflitos sangrentos e violência, em lugares próximos e distantes, os católicos e os ortodoxos são convocados a ser construtores da paz", declarou.
Em sua primeira viagem ao exterior, Leão XIV tem demonstrado prudência, respeitando as sensibilidades políticas de seus interlocutores e reiterando as mensagens a favor da unidade e do respeito à diversidade religiosa.
L.Stucki--VB