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Zelensky destitui chefe de gabinete após operação anticorrupção
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, destituiu, nesta sexta-feira (28), seu chefe de gabinete, Andrii Yermak, considerado um dos homens mais influentes do país, após uma operação de busca e apreensão em sua casa por parte dos investigadores anticorrupção.
Esta demissão, que pode desestabilizar a Presidência, chega em um momento muito delicado para a Ucrânia, tanto na frente de batalha como nas negociações com os Estados Unidos sobre um plano para pôr fim à guerra de quatro anos com a Rússia.
Yermak, de 54 anos, liderava a delegação ucraniana nos diálogos com Washington e é um dos membros mais importantes da equipe do chefe de Estado. Sua saída ocorre apenas duas semanas depois da revelação de um escândalo de corrupção no setor energético.
"O chefe de gabinete, Andrii Yermak, apresentou sua renúncia", anunciou Zelensky em sua mensagem diária à população divulgada pelas redes sociais. O presidente também agradeceu por ter "representado sempre a posição da Ucrânia" e ter "adotado sempre uma postura patriótica".
O mandatário ucraniano disse no sábado que se reunirá com os possíveis substitutos de Yermak. Pouco depois emitiu um decreto que validava imediatamente sua demissão.
O presidente instou os ucranianos a "não perderem (sua) unidade", enquanto há quatro anos muitas vozes questionavam a crescente influência de Yermak sobre o líder, qualificada por alguns como "hipnótica".
Durante a manhã, a Agência Anticorrupção (NABU) e a Procuradoria Especializada Anticorrupção (SAP) realizaram buscas na residência de Yermak, sem revelar mais detalhes.
Yermak, que ocupava o cargo desde 2020, dois anos antes do início da invasão russa da Ucrânia, confirmou as informações e afirmou que estava cooperando com os investigadores.
- "Ali Baba" -
As investigações estão relacionadas, segundo deputados da oposição, a um dos piores escândalos de corrupção do mandato de Zelensky, que resultou, no início de novembro, em várias prisões e na destituição de dois ministros.
A NABU revelou a existência de um "sistema criminoso", orquestrado, segundo os investigadores, por um aliado do presidente. A rede, de acordo com a mesma fonte, permitiu desviar 100 milhões de dólares (R$ 535 milhões, na cotação atual) no setor energético.
Zelensky impôs sanções contra o suposto organizador do esquema, Timur Mindich, seu antigo sócio e considerado amigo próximo.
Um deputado da oposição afirma que Yermak é mencionado em gravações de conversas dos suspeitos, onde lhe são atribuídas ordens para pressionar as estruturas anticorrupção.
Nestas gravações, ele é identificado pelo apelido "Ali Baba", formado a partir das primeiras letras de seu nome e sobrenome, Andrii Borisovich.
Ex-produtor de cinema e jurista especializado em propriedade intelectual, Yermak trabalhou ao lado de Zelensky nos anos em que o atual presidente era um comediante muito popular.
Era considerado o segundo homem mais influente do país, depois do mandatário.
Desde o início da invasão russa, ele liderou várias rodadas de negociações com os americanos em Washington, assim como no último fim de semana em Genebra.
Para o analista político Volodimir Fessenko, esta situação "enfraquece" a posição de Kiev nas negociações sobre o plano americano e Moscou aproveitará este escândalo "sem dúvida alguma".
- "Hipnotizado" -
A influência de Yermak sobre Zelensky tem atraído a atenção dos ucranianos desde o início da guerra e despertado questionamentos até mesmo no próprio círculo presidencial.
Críticos indicam que o chefe de gabinete concentrava um poder excessivo, exercendo de fato o controle da política externa do país e limitando o acesso ao presidente.
É como se ele tivesse "hipnotizado" Zelensky, ironizou em novembro uma fonte de alto escalão do partido presidencial em declarações à AFP, afirmando que Yermak "afastou o Ministério das Relações Exteriores" das negociações com Washington.
"Yermak não deixa ninguém se aproximar de Zelensky, exceto os leais", e busca "influenciar quase todas as decisões da Presidência", disse à AFP um ex-alto funcionário que trabalhou com o mandatário.
D.Bachmann--VB