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O que o futuro reserva para o ex-príncipe Andrew?
Depois da decisão do rei Charles III de retirar os títulos de seu irmão, o ex-príncipe Andrew e a família real britânica seguem enfrentando as repercussões do escândalo provocado por seus vínculos com o criminoso sexual americano Jeffrey Epstein.
Onde Andrew vai morar e com que recursos?
Ao anunciar, na noite de quinta-feira, que o rei Charles III decidiu retirar os títulos de Andrew, de 65 anos, o Palácio de Buckingham informou que o filho caçula de Elizabeth II também terá que deixar a mansão de 30 cômodos onde mora, em Windsor.
Ele vai se mudar para Sandringham, uma vasta propriedade privada do monarca com várias residências, embora se desconheça em qual delas ele vai morar.
Para evitar polêmicas, o Palácio informou que Andrew viverá às custas do rei.
Segundo o jornal The Guardian, ele poderia receber uma compensação econômica de seis dígitos por deixar o Royal Lodge, conforme o contrato de arrendamento assinado em 2003 com o Crown Estate, que gerencia os bens da Coroa britânica. Além disso, receberá uma alocação anual do rei para cobrir suas despesas cotidianas.
Como ex-oficial da Marinha, Andrew recebe uma pensão anual de 20.000 libras (o equivalente a R$ 141 mil, na cotação atual) e possui um importante patrimônio pessoal. Mas no ano passado, Charles retirou dele a alocação anual de um milhão de libras (R$ 7 milhões) que costumava repassar ao irmão.
Sua mudança não ocorreria antes do Natal, segundo a imprensa britânica, por razões logísticas e também para evitar sua presença durante as Festas em Sandringham, onde a família real costuma se reunir.
Ele corre o risco de ser processado?
Andrew sempre negou as acusações de Virginia Giuffre, uma das supostas vítimas de Epstein, que disse ter mantido relações sexuais com o ex-príncipe - duas vezes quando tinha 17 anos -, enquanto estava sob controle do americano.
Em 2022, Andrew fechou um acordo financeiro extrajudicial com Giuffre para encerrar um processo nos Estados Unidos.
Virginia Giuffre se suicidou em abril passado.
Uma comissão do Congresso americano continua investigando o caso e vários de seus integrantes pediram que Andrew testemunhe.
O irmão de Virginia Giuffre, Sky Roberts, opinou que Andrew "deveria estar na prisão".
No Reino Unido, a polícia, que encerrou uma investigação prévia em 2021, agora examina uma denúncia jornalística, segundo a qual Andrew teria pedido a um agente de sua escolta para obter informação sobre Giuffre para desacreditá-la.
Ele seguirá na linha de sucessão ao trono?
Apesar de ter perdido seus títulos, Andrew segue sendo o oitavo na linha de sucessão ao trono britânico.
Nos últimos dias, surgiram apelos para impedir que Andrew possa herdar o trono, embora a probabilidade seja muito pequena.
Para tal, seriam necessárias uma decisão do Parlamento e a aprovação de todos os países da Commonwealth (Comunidade Britânica).
O porta-voz do primeiro-ministro, Keir Starmer, esclareceu, na sexta-feira, que o governo "não tem planos de modificar a lei" a respeito.
Rumo a um controle maior da família real?
Criticada por sua lentidão em agir contra Andrew, a família real sai enfraquecida do escândalo, que reacende o debate sobre o controle parlamentar da Coroa.
A deputada Rachael Maskell apresentou um projeto de lei para facilitar a retirada de títulos de nobreza daqueles que os tiverem.
A Comissão de Contas Públicas do Parlamento pediu informação ao Crown Estate e ao Tesouro sobre o contrato de arrendamento concedido ao ex-príncipe, que lhe permitia não pagar aluguel após um pagamento inicial substancial.
Este caso "é uma oportunidade para que a família real seja mais transparente em seu funcionamento, especialmente no que se refere às suas finanças", considerou o historiador e biógrafo do ex-príncipe Andrew Lownie. Para ele, "ao tentar transferir toda a culpa para Andrew, tentam evitar um exame mais profundo do resto da família".
R.Flueckiger--VB