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Incêndios florestais deixam 24 mortos na Coreia do Sul
Pelo menos 24 pessoas morreram, incluindo um bombeiro, na queda de um helicóptero devido aos graves incêndios florestais que afetam a Coreia do Sul e que, segundo o presidente interino do país, causaram "danos sem precedentes".
Em um clima seco e com ventos fortes, mais de uma dúzia de incêndios arrasam desde o fim de semana o sudeste do país, o que obrigou 27.000 pessoas a abandonarem suas casas e provocou bloqueios de estradas, além de cortes em linhas de energia e telecomunicações.
Segundo o Ministério do Interior, os incêndios já queimaram 17.398 hectares e estão entre os mais graves da história do país. Quase 87% da superfície destruída corresponde a um único incêndio no condado de Uiseong.
O balanço das mortes provocadas pelos incêndios subiu nesta quarta-feira para 24. As chamas atingiram vários bairros e reduziram um templo milenar a cinzas.
"Confirmamos 24 mortes até o momento nos incêndios", declarou à AFP um funcionário do Ministério da Segurança. Ele acrescentou que são "números preliminares" e que o balanço pode aumentar.
Muitas vítimas eram moradores locais. Três bombeiros e um piloto morreram na queda de um helicóptero em uma zona montanhosa nesta quarta-feira, anunciaram as autoridades.
O presidente interino da Coreia do Sul, Han Duck-soo, afirmou em uma reunião de emergência que os incêndios "estão provocando danos sem precedentes" e "avançam de uma maneira que supera as previsões atuais".
Segundo o Ministério do Interior, os incêndios queimaram 17.398 hectares, 87% dos quais estão localizados no condado de Uiseong.
Na cidade de Andong, alguns desabrigados afirmaram à AFP em uma escola transformada em centro de atendimento que as chamas avançaram de maneira tão rápida que não tiveram tempo para levar nada de suas casas.
"O fogo veio da montanha e atingiu a minha casa", disse Kwon So-han, um morador da cidade de Andong, de 79 anos. "Quem não viveu isso, não saberá o que aconteceu. Só consegui levar meu corpo", disse o idoso.
- Mudança climática -
Milhares de bombeiros foram mobilizados na região e o presidente interino anunciou uma "resposta nacional em larga escala".
As fortes rajadas de vento, no entanto, dificultaram o trabalho de helicópteros e drones dos bombeiros, que suspenderam as operações após o acidente desta quarta-feira.
"As constantes mudanças na direção do vento e o clima seco atual mostram as limitações dos métodos convencionais para combater as chamas", lamentou o presidente Han, que destacou que estes são os incêndios "mais devastadores" registrados no país.
A imprevisibilidade levou o governo a retirar não apenas residentes, mas também milhares de prisioneiros de centros de detenção nas áreas afetadas.
As autoridades também emitiram um alerta para a vila folclórica de Hahoe, um popular destino turístico incluído na lista de Patrimônio Mundial da Unesco.
As colunas de fumaça provocadas pelas chamas eram visíveis de longe nesta área de casas tradicionais, cercada por caminhões dos bombeiros e policiais.
A região afetada pelos incêndios enfrentava um clima excepcionalmente seco, com chuvas abaixo da média. De fato, o país inteiro viveu, em 2024, o ano mais quente já registrado, com uma temperatura média de 14,5ºC, dois graus acima da média dos últimos 30 anos.
"Não podemos dizer que é apenas por causa da mudança climática, mas a mudança climática está afetando direta e indiretamente as alterações que vivenciamos agora", disse o professor de Climatologia Yeh Sang-Wook, da Universidade Hanyang de Seul.
"Os incêndios se tornarão mais frequentes", acrescentou.
A previsão meteorológica indica chuva na área afetada nas próximas horas, o que as autoridades esperam que ajude a conter as chamas.
G.Schmid--VB