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Inundações deixam mais de 3.800 mortos e 30.000 deslocados na Líbia
A Líbia ainda sofria os efeitos, nesta quarta-feira (13), das inundações devastadoras que, segundo as autoridades, deixaram mais de 3.800 mortos e milhares de desaparecidos na cidade costeira de Derna, parcialmente submersa sob a água e a lama.
O número de mortos não para de aumentar nesta cidade do leste da Líbia, atingida no domingo pela tempestade Daniel. Nas ruas da localidade, os corpos se amontoam à espera de caminhonetes para serem levados aos cemitérios.
Ao menos 30.000 pessoas que moravam nesta cidade de 100.000 habitantes tiveram que deixar suas casas, informou nesta quarta a Organização Internacional para as Migrações (OIM), enquanto persiste a incerteza sobre o número exato de vítimas da catástrofe.
Imagens exibidas nas redes sociais por emissoras locais de televisão mostram uma paisagem apocalíptica em Derna, com ruas devastadas, prédios em ruínas, pontes destruídas e deslizamentos de terra.
Derna agora só é acessível por duas entradas ao sul, enquanto antes costumava ter sete. Os cortes generalizados de energia e as interrupções nas redes de telecomunicações limitam as comunicações, segundo a OIM.
A organização também reportou 3.000 pessoas deslocadas em Al Bayda e mais de 2.000 em Benghazi, duas cidades situadas mais a oeste.
A Líbia está dividida entre dois governos rivais, a administração sediada em Trípoli, reconhecida internacionalmente, e uma administração separada no leste, a região afetada pelo desastre. As duas autoridades falam de "milhares" de mortos.
Segundo o porta-voz do Ministério do Interior do governo sediado no leste do país, tenente Tarek al Kharraz, foram contabilizados até agora 3.840 mortos na cidade de Derna, dos quais 3.190 já foram enterrados. Entre as vítimas estão ao menos 400 estrangeiros, principalmente sudaneses e egípcios.
Mais de 2.400 pessoas continuavam desaparecidas, segundo as autoridades do leste, que temem que o balanço final das inundações seja muito maior, em vista da devastação e da dificuldade em fazer chegar ajuda às vítimas.
- "Grande explosão" -
Usama Ali, porta-voz do Serviço de Resgate e Emergência líbio do governo de Trípoli, disse na terça-feira que as inundações haviam deixado "mais de 2.300 mortos", cerca de 7.000 feridos e mais de 5.000 pessoas desaparecidas em Derna.
Um funcionário da Federação Internacional de Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV) informou que pode haver 10.000 desaparecidos.
Estas inundações são o pior desastre natural registrado em Cirenaica, província oriental da Líbia, desde o grande terremoto que sacudiu a cidade de Al Marj (leste), em 1963.
A tempestade Daniel chegou à costa leste da Líbia no domingo, primeiro na metrópole de Benghazi e depois a leste, nas cidades de Jabal al Akhdar (nordeste), Shahat (Cirene), Al Marj, Al Bayda e Susa (Apolônia), mas atingiu sobretudo Derna.
Na madrugada de segunda-feira, romperam-se duas represas em Wadi Derna, que retinham as águas de um córrego, um corpo hídrico que cortava a cidade e costuma transportar água na época das chuvas.
Várias testemunhas contaram a veículos de imprensa líbios ter ouvido uma "grande explosão" antes de enormes enxurradas atingirem a cidade, transbordando as margens e arrastando em seu caminho pontes e bairros inteiros com seus moradores.
Na terça-feira, corpos começaram a aparecer no Mar Mediterrâneo, cujas águas ficaram marrons por causa da lama.
- "Riscos" -
O Reino Unido anunciou uma ajuda de um milhão de libras esterlinas (6,1 milhões de reais), e revelou que a ONU desbloqueou dez milhões de dólares (cerca de 49 milhões de reais) do Fundo Central de Resposta a Emergências (CERF).
A Jordânia enviou um avião carregado com ajuda humanitária e a Itália anunciou, nesta quarta, a partida de um barco e dois aviões militares para transportar especialistas e equipamentos de logística.
O Egito vai instalar acampamentos no oeste do país para dar refúgio aos sobreviventes, segundo o jornal estatal Al Ahram.
"Dada a escala e a complexidade das necessidades, é imperativo que se mobilize uma abordagem bem coordenada e multi-agencial", destacou o Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU (OCHA).
Um encarregado do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), Erik Toellfsen, alertou que as inundações "deslocaram artefatos explosivos não detonados para áreas livres de contaminação por armas". Isto representa um "risco maior para os sobreviventes e a ajuda humanitária".
C.Stoecklin--VB