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Missão Artemis II que levará astronautas à Lua está pronta para lançamento
Três homens e uma mulher se preparam nesta quarta-feira (1º) para empreender a primeira viagem tripulada à Lua desde 1972, uma odisseia histórica que visa impulsionar os Estados Unidos para uma nova era de exploração espacial.
A missão da Nasa batizada Artemis II vem sendo planejada há anos, com repetidos contratempos. Mas finalmente está programada para decolar da Flórida nesta quarta-feira às 18h24 locais (19h24 em Brasília).
A equipe de astronautas é formada pelos americanos Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, além do canadense Jeremy Hansen, que devem permanecer na missão por cerca de 10 dias.
A nave será lançada a toda velocidade ao redor do satélite natural da Terra, sem pousar, em uma missão semelhante à realizada pela Apolo 8 em 1968.
Esta viagem marcará uma série de conquistas. Será a primeira vez que uma mulher, um homem negro e um cidadão não americano participarão de uma missão à Lua.
Também será o primeiro voo tripulado do novo foguete lunar da Nasa, denominado SLS. O enorme foguete laranja e branco foi projetado para permitir que os Estados Unidos retornem de forma recorrente ao astro nos próximos anos.
O objetivo futuro é estabelecer uma base permanente que sirva como plataforma para uma exploração mais profunda.
"É um degrau em direção a Marte, onde poderíamos ter a maior probabilidade de encontrar evidências de vida passada, mas também é uma pedra de Rosetta para entender como se formam outros sistemas solares", disse Koch em uma coletiva de imprensa no fim de semana.
- Prontos -
A missão estava inicialmente prevista para decolar em fevereiro. Mas os repetidos contratempos a atrasaram e até obrigaram o foguete a retornar ao seu hangar para análises e reparos.
"O veículo está pronto, o sistema está pronto, a tripulação está pronta", afirmou Amit Kshatriya, administrador associado da agência espacial americana, em entrevista coletiva.
Até a tarde de terça-feira, os responsáveis da Nasa demonstravam confiança de que as operações de engenharia e os preparativos finais avançavam sem problemas, e de que a previsão meteorológica era promissora.
Se o lançamento desta quarta-feira for cancelado ou adiado, haverá mais oportunidades de decolagem até 6 de abril, embora o tempo para o fim da semana parecesse ligeiramente menos favorável.
"Teremos que monitorar esses cúmulos de nuvens agitadas e possivelmente algumas chuvas e rajadas de vento", disse na terça-feira Mark Burger, responsável meteorológico do lançamento.
No entanto, ele indicou que mesmo que ocorram precipitações, "nenhuma parece particularmente intensa". "Devemos conseguir encontrar uma janela de céu limpo para lançar a Artemis", concluiu.
"Estamos aguardando com muito entusiasmo, nunca vimos nada parecido", disse à AFP Melinda Schuerfranz, uma mulher de 76 anos que viajou de Ohio à Flórida para assistir ao lançamento.
- "Astronautas no Halloween" -
O programa Artemis tem sido marcado por atrasos e enormes custos adicionais. Também está submetido à pressão do presidente Donald Trump, que acelerou o ritmo deste ambicioso projeto cuja meta é pisar na superfície lunar antes de 2029, quando termina seu segundo mandato.
Os objetivos da Artemis II incluem verificar se tanto o foguete quanto a nave espacial estão em perfeito estado de funcionamento, na esperança de abrir caminho para um retorno e um pouso na Lua em 2028.
Tal prazo desperta ceticismo entre os especialistas, em parte porque depende dos avanços tecnológicos do setor privado.
Os astronautas precisarão de um segundo veículo para descer até a superfície lunar, um módulo de pouso que ainda está em desenvolvimento por empresas espaciais rivais, pertencentes aos bilionários Elon Musk e Jeff Bezos.
Para o recém-nomeado chefe da Nasa, Jared Isaacman, trata-se de uma busca em múltiplas frentes, relacionada à descoberta científica, à segurança nacional e à oportunidade econômica, assim como a objetivos menos tangíveis.
"Garanto que, depois deste voo ao redor da Lua, haverá mais crianças se fantasiando de astronautas no Halloween. E isso vai inspirar a próxima geração a nos levar ainda mais longe", declarou Isaacman durante uma entrevista televisiva.
P.Keller--VB