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Diretor da OMS visita capital da RDC antes de viajar ao epicentro do surto de ebola
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, se reúne nesta sexta-feira (29) em Kinshasa, capital da República Democrática do Congo (RDC), com as autoridades do país para discutir o grave surto de ebola, antes de se deslocar ao epicentro da epidemia.
A viagem a Ituri, uma província remota no nordeste do país e principal foco da mais recente epidemia de ebola na RDC, estava prevista para esta sexta-feira, mas foi adiada para sábado (30).
A RDC, um dos países mais pobres do planeta e com mais de 100 milhões de habitantes, declarou em 15 de maio uma nova epidemia. A OMS decretou um alerta de saúde internacional.
Desde então, as autoridades de saúde congolesas e internacionais lutam para conter a propagação do vírus, que já se propagou por três províncias, assim como pela vizinha Uganda, onde sete infecções foram confirmadas, uma delas fatal.
Na RDC foram registrados 246 óbitos entre mais de 1.000 casos suspeitos.
As autoridades internacionais consideram que a real dimensão da epidemia ainda é desconhecida e que os balanços são provavelmente inferiores à realidade, principalmente devido à reduzida capacidade da RDC para fazer testes laboratoriais que confirmem os casos de transmissão.
A doença do ebola, que matou mais de 15.000 pessoas na África nos últimos 50 anos, provoca uma febre hemorrágica aguda e extremamente contagiosa.
A epidemia mais letal na RDC provocou quase 2.300 mortes e 3.500 casos entre 2018 e 2020.
"Apesar de uma situação complexa, acredito que podemos parar isto", declarou Tedros ao chegar à capital congolesa. Em uma carta aberta publicada pouco antes no X, ele destacou que os congoleses "não estão sozinhos".
- "Seremos exterminados"
Na remota região de Ituri, os serviços do Estado estão ausentes em grande medida. A presença de grupos armados — rebeldes vinculados ao grupo radical Estado Islâmico ou milícias comunitárias que atacam os civis com frequência — dificulta o acesso dos profissionais da saúde.
As províncias vizinhas de Kivu do Norte e Kivu do Sul, também afetadas pela epidemia, são cenários de violência quase ininterrupta há 30 anos.
Amplas áreas do território estão sob controle do grupo armado antigovernamental M23, apoiado por Ruanda e por seu Exército.
Milhões de deslocados que fugiram dos conflitos estão aglomerados em acampamentos. A chegada do vírus aos espaços repletos de lonas e barracas, marcados pela superlotação e condições de higiene desastrosas, seria catastrófica.
Dorcas Mapenzi lava suas roupas em uma bacia colocada diretamente no chão. Como os milhares de deslocados em Ituri, ela vive em um campo superlotado na periferia de Bunia, a capital provincial.
"Se o ebola chegar, seremos exterminados, porque estamos amontoados", disse à AFP.
"Dormimos uns em cima dos outros", descreve Déborah Nzale, outra deslocada. "Se uma única pessoa for infectada aqui neste campo, todos nós vamos morrer", comentou.
A epidemia atual é provocada pelo vírus Bundibugyo, para o qual não existe tratamento específico nem vacina. A maioria das epidemias anteriores foi causada pelo vírus Zaire, o único para o qual existe uma vacina homologada.
Na quinta-feira, o diretor da agência de saúde da União Africana, Jean Kaseya, prometeu que uma vacina e um medicamento contra a cepa Bundibugyo serão disponibilizados "até o fim de 2026".
Por sua vez, a OMS anunciou que seus grupos consultivos recomendaram ensaios clínicos para várias vacinas e tratamentos potencialmente eficazes contra a cepa Bundibugyo.
Uganda e Ruanda fecharam recentemente suas fronteiras com a RDC.
Na semana passada, a OMS elevou o nível de risco sanitário na RDC para a faixa mais perigosa. Também indicou que o risco para os países da região era "elevado", mas que em escala mundial continuava "baixo".
C.Bruderer--VB