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EUA reativa guerra comercial com nova rodada de tarifas
Os Estados Unidos passarão a aplicar, a partir desta sexta-feira (24), tarifas de no mínimo 10% a cerca de 60 países. Assim, o presidente Donald Trump reativa sua guerra comercial, que gerou controvérsia com seus principais parceiros e impacto na inflação.
As tarifas são aplicadas em resposta a investigações sobre o uso de trabalho forçado, explicou o escritório do Representante Comercial (USTR, na sigla em inglês) em um comunicado. Alguns países sofrerão tarifas específicas de até 12,5%.
"Essa medida se aplica aos 60 principais parceiros comerciais dos Estados Unidos, que representam 99,4% das importações americanas", afirma o texto.
A agenda comercial de Trump sofreu um amplo revés em fevereiro, quando a Suprema Corte decidiu que suas tarifas indiscriminadas eram inconstitucionais, já que apenas o Congresso pode aprovar medidas desse tipo.
Trump se viu obrigado a mudar de estratégia e anunciou que voltaria com outras taxas alfandegárias, desta vez amparadas em investigações prévias do USTR.
"Em 2 de junho de 2026, o Representante Comercial dos Estados Unidos determinou (...) que os atos, políticas e práticas das 60 economias investigadas relacionados à falta de imposição e aplicação efetiva de uma proibição à importação de bens produzidos com trabalho forçado não são razoáveis", explicou o texto.
Esse tipo de tarifa é mais difícil de contestar pelos países afetados, ou pelos importadores, como acontece com aquelas aplicadas por motivos ambientais - produtos que chegam aos Estados Unidos de áreas desmatadas, por exemplo - ou sanitários.
O Brasil é um dos países que sofreu, esta semana, uma nova onda de tarifas sobre alguns produtos, em razão desse tipo de investigação.
Ao mesmo tempo, o USTR reconhece em seu comunicado que "o presidente Trump está utilizando tanto as tarifas quanto os acordos comerciais para apoiar os trabalhadores americanos e corrigir os desequilíbrios comerciais".
Trump advertiu, ao chegar ao poder, que sua política comercial seria a de colocar os interesses de seu país em primeiro lugar, já que considera que os parceiros comerciais tinham muito mais acesso ao mercado americano do que o inverso.
Depois que a Suprema Corte anulou suas tarifas indiscriminadas, o republicano as substituiu rapidamente por um encargo temporário de 10% sobre as importações. Mas esse encargo só poderia durar 150 dias e expirava nesta sexta‑feira.
“Os Estados Unidos têm uma proibição de importação de produtos elaborados com trabalho forçado há quase um século e a aplicam rigorosamente; já passou da hora de nossos parceiros comerciais fazerem o mesmo”, declarou o representante comercial, Jamieson Greer.
– Negociações com o México –
A tarifa mínima de 10% afetará as importações americanas oriundas do Canadá, da União Europeia, do México, de Taiwan e do Reino Unido, que se considera terem adotado algumas medidas contra o trabalho forçado.
Os produtos de mais de 40 outros países, como China, Índia e Japão, enfrentarão um encargo de 12,5%.
Trump anunciou já na terça‑feira a imposição de novas tarifas de 100% sobre medicamentos genéricos importados, que entrarão em vigor a partir de agosto de 2028, e cuja alíquota passará posteriormente a 200% em 2029.
O objetivo, neste caso, é obrigar multinacionais farmacêuticas a abrir plantas de produção nos Estados Unidos, em nome da segurança nacional, afirmou o presidente.
Ao mesmo tempo em que aplica tarifas, o governo Trump negocia com seus principais parceiros, como México e Canadá. Greer está no México para a terceira rodada de negociações para a revisão do tratado que une os Estados Unidos, o Canadá e o México.
S.Gantenbein--VB