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Letônia vota em legislativas com um olho na Rússia e outro no custo de vida
A Letônia vota, neste sábado (3), em eleições legislativas condicionadas pelo custo de vida e pelas preocupações com a vizinha, Rússia, embora se espere que o país mantenha sua orientação pró-europeia e pró-ucraniana.
Quatro anos e meio após o início da invasão russa da Ucrânia, a segurança domina os debates.
O país báltico, membro da Otan e da UE desde 2004, considera a Rússia como a principal ameaça à sua existência e aumentou consideravelmente os gastos militares para cerca de 5% de seu PIB.
A maioria das legendas com chances de chegar ao Parlamento apoia o reforço dos meios militares do país e a manutenção da ajuda a Kiev.
Mas, na campanha, a economia (devido ao aumento do custo de vida e aos baixos salários) e o declínio demográfico também ocuparam um espaço importante.
Nesse contexto, a Lista Unida (de centro direita), do atual primeiro-ministro, Andris Kulbergs, lidera a disputa com mais de 14% das intenções de voto, segundo uma pesquisa do instituto SKDS.
Sua coalizão pode sair enfraquecida diante da ascensão de partidos populistas, que ganharam terreno ao se concentrar em questões econômicas nesse país de 1,8 milhão de habitantes.
A atual coalizão governista inclui também os partidos Nova Unidade, Aliança Nacional e União de Verdes e Agricultores. De acordo com as pesquisas, é improvável que ela se mantenha em sua forma atual após a votação.
A principal novidade da campanha é a ascensão do partido populista Poder Soberano, liderado por Julija Stepaņenko, ao qual as pesquisas atribuem 9% das intenções de voto. Se a previsão se confirmar, poderá ter a segunda maior bancada do Parlamento unicameral, que conta com 100 assentos.
Seus críticos o consideram um partido pró-Rússia. A legenda criticou a ajuda à Ucrânia e o aumento dos gastos militares, e deu prioridade às dificuldades econômicas do país, o mais modesto das três repúblicas bálticas.
No entanto, é improvável que venha a integrar um futuro governo, porque os demais partidos descartam trabalhar com o partido.
Quem pode, sim, ter um papel importante na formação do futuro governo é a legenda populista Letônia Primeiro, liderada pelo empresário Ainars Slesers, frequentemente comparado ao presidente americano, Donald Trump.
Outra variável é a mudança no voto da população russófona, que por muito tempo esteve concentrado em torno do partido Harmonia, que desapareceu do Parlamento em 2022. Boa parte desse eleitorado vota agora com base em critérios econômicos e sociais, sobretudo em partidos de viés populista.
Os primeiros resultados das eleições são esperados para a noite deste sábado.
A.Ruegg--VB