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Protestos estudantis se espalham pela França em meio a confrontos com a polícia
Estudantes franceses do ensino médio acenderam fogueiras e lançaram objetos contra a polícia, que respondeu com gás lacrimogêneo, nesta sexta-feira (2), durante um crescente movimento de protesto por melhores condições na educação.
O movimento começou na semana passada na região de Paris e se espalhou rapidamente por todo o país entre os alunos do Ensino Médio, a maioria entre 15 e 18 anos. Nesta sexta-feira, 564 escolas tiveram suas atividades afetadas ou foram obrigadas a fechar, segundo as autoridades.
Cidades como Paris e Estrasburgo registraram confrontos entre jovens e forças de segurança. Um policial também foi brutalmente agredido em Belfort, no nordeste da França, por "arruaceiros", segundo o ministro do Interior, Laurent Nuñez.
Na entrada da escola Turgot, no centro de Paris, dezenas de estudantes, alguns encapuzados, bloquearam o acesso pela manhã em um ambiente descontraído, com faixas com frases como "Não vamos parar até que sejamos ouvidos" ou "Quem nos protege da polícia?".
"O horário está pesado demais. Muitas vezes temos aula das oito da manhã às seis da tarde. Além disso, estudamos duas horas por dia em casa. Não temos tempo para atividades extracurriculares", explicou à AFP Simon, de 15 anos.
Anna, de 15 anos, afirmou que durante a onda de calor as temperaturas chegaram a 37ºC e "no inverno faz frio". "Gastam dinheiro em capinhas de celular, mas não nas coisas mais importantes", acrescentou, em referência ao dispositivo para garantir a proibição do uso de celulares nas escolas.
Entre as reclamações dos manifestantes figuram também as ausências excessivas de professores e a falta de substitutos, em um momento em que a França tenta reduzir os gastos públicos para sanear sua dívida pública.
O ministro da Educação, Édouard Geffray, reuniu-se nesta sexta-feira com sindicatos da área e associações estudantis. Ao fim do encontro, porém, os representantes reiteraram o chamado para manter o movimento e participar de uma jornada de grandes protestos na próxima terça-feira, diante da falta "de medidas concretas".
Mais de 300 policiais e gendarmes ficaram feridos, assim como 65 funcionários do Ministério da Educação, entre eles 40 diretores de escolas, além de 170 alunos, desde o início do movimento, segundo as autoridades.
"A repressão policial extremamente violenta inevitavelmente alimenta a revolta dos estudantes do ensino médio", afirmou James, um dos alunos, em Lille, no norte da França.
Quase 400 das 3.700 escolas de ensino médio francesas permaneceram fechadas nesta sexta-feira. O Ministério da Educação informou que, ao todo, foram registradas ações ou interrupções das atividades em 564 estabelecimentos.
Na cidade de Marselha, no sul do país, a segunda mais populosa da França, muitas escolas organizaram aulas remotas, depois que os protestos interromperam na quinta-feira os serviços de transportes.
O ministro da Justiça, Gérald Darmanin, afirmou que pediu aos promotores que responsabilizem os pais pelos danos causados pelos filhos durante as manifestações e que "paguem pelos reparos".
"Desde o início do movimento, quase 2.000 pessoas foram detidas pela polícia, das quais 90% eram menores de idade", declarou à rádio RTL.
As primeiras detenções resultaram, nos tribunais, em condenações à prestação de serviços à comunidade.
burs-tjc/pc/fp-jc/lm/aa
C.Bruderer--VB