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Secretário de Energia dos Estados Unidos visita Caracas para negociar acordo histórico de petróleo
O secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, chegou na terça-feira (1) em Caracas para concluir com o governo da Venezuela um acordo histórico que cede a exploração de um quinto das reservas de petróleo do país.
Envolvido em uma guerra contra o Irã que provocou uma forte alta no preço da gasolina, o presidente Donald Trump surpreendeu na sexta-feira da semana passada ao anunciar um acordo para explorar reservas na Venezuela equivalentes a 65 bilhões de barris de petróleo bruto.
O secretário Wright afirmou à imprensa que os acordos que pretende assinar nesta quarta-feira (2) devem proporcionar "paz, oportunidades e prosperidade ao povo da Venezuela e ao povo dos Estados Unidos".
"Acredito que se aproximam tempos muito bons à medida que grandes investimentos devem fluir para este país", acrescentou, segundo um vídeo divulgado na conta do Departamento de Energia dos Estados Unidos na rede social X.
A viagem coincide com o anúncio em separado da Chevron sobre os planos para ampliar as operações na Venezuela.
A presidente interina Delcy Rodríguez confirmou o que foi anunciado por Trump, mas enfatizou que seu país manterá a soberania sobre os recursos de hidrocarbonetos, como estipula a Constituição. Na terça-feira, o Parlamento — dominado pelo governo — e as Forças Armadas da Venezuela respaldaram o acordo.
"Acompanhamos, aprovamos e estamos de acordo com todos os termos do recente acordo estratégico que o país celebrou com os Estados Unidos", disse o ministro da Defesa, general Gustavo González López, em um breve pronunciamento.
- "Normalizar" a economia -
Em uma entrevista em espanhol publicada no YouTube, o secretário de Estado americano Marco Rubio disse ao jornalista venezuelano Sergio Novelli que uma empresa privada está trabalhando com os Estados Unidos para "normalizar" a economia venezuelana.
"O que isto é agora é um acordo com o governo dos Estados Unidos, por meio do Departamento de Guerra, porque eles têm uma conta especial que pode tomar posse de um certo percentual deste tipo de coisas para normalizar esse sistema", disse Rubio.
"Agora o que temos é um sistema no qual esta empresa vai produzir mais com o apoio dos Estados Unidos e vai poder atrair o investimento privado necessário para investir na capacidade produtiva destes campos", acrescentou.
A Venezuela tem as maiores reservas de petróleo do mundo (mais de 300 bilhões de barris estimados), mas a produção continua muito limitada.
Desde a operação militar americana que capturou o ex-presidente Nicolás Maduro em janeiro, o governo Trump se concentra em retomar a exploração dos recursos de petróleo e gás da Venezuela.
O acordo provocou críticas de opositores venezuelanos, mas também de alguns setores governistas.
A negociação com um governo interino, que só foi reconhecido por Washington após a queda de Maduro, "não impede de maneira nenhuma a transição democrática que deve chegar", insistiu uma fonte do governo americano.
O plano de Washington continua sendo, em primeiro lugar, estabilizar e reativar a economia venezuelana, muito dependente das exportações de combustíveis, para que um eventual governo procedente da atual oposição possa herdar um país de pé e com recursos, explicou.
Trump elogiou Rodríguez por sua colaboração para se alinhar com os objetivos geoestratégicos de Washington.
T.Germann--VB