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Ex-candidato presidencial venezuelano impulsiona pacto nacional seguindo linha traçada por EUA
Cinco meses depois de deixar a prisão, o ex-candidato à Presidência Enrique Márquez apresentou, nesta quinta-feira (20), uma proposta de "pacto nacional", na mesma linha defendida pelos Estados Unidos para avançar em um processo de transição na Venezuela após a queda de Nicolás Maduro.
Márquez, convidado para o discurso anual de Donald Trump no Congresso dos Estados Unidos em fevereiro, reapareceu nesta quinta-feira no cenário político venezuelano para apresentar um pacto nacional que acompanhe a proposta de Washington para seu país.
Naquela noite, durante seu discurso, Trump apresentou como uma de suas conquistas a operação militar de captura de Nicolás Maduro, em janeiro.
Ao apresentar sua proposta em um luxuoso hotel de Caracas, Márquez afirmou logo de início: "Os venezuelanos 'estamos em um processo de transição impulsionado, mas também tutelado pelos Estados Unidos (...) chamemos as coisas pelo nome'".
O político, que também foi vice-presidente do Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela até 2023, defendeu que a Venezuela retome sua antiga aliança com os Estados Unidos.
"Durante esses últimos 27 anos, fomos buscar outros parceiros, saímos do hemisfério", disse.
Em seguida, questionou: "E como nos saímos com esses parceiros que buscamos durante esses 27 anos? Saímos muito mal".
Márquez, de 63 anos, disse que inicia uma campanha "a favor da rota estabelecida, dos três passos de estabilização, recuperação e transição desenhada pelos Estados Unidos, mas necessária para a Venezuela".
Ele rejeitou a ideia de estar competindo com Dinorah Figuera, chefe da delegação oposicionista que lidera uma negociação com o governo interino de Delcy Rodríguez em direção a uma transição política.
Figuera também retornou à Venezuela de maneira surpreendente em junho, com o apoio de Washington.
Essa política oposicionista, que até pouco tempo atrás estava no exílio, voltou ao país para se sentar à mesa com Jorge Rodríguez, presidente do Parlamento e irmão da presidente interina.
"Reconheço seu compromisso com esta pátria", disse Márquez sobre Figuera.
A rodada inicial de negociações formais terminou na semana passada com dois acordos: a renovação do sistema de Justiça e a busca por um desbloqueio de ativos da Venezuela na Inglaterra.
Márquez apoiou esse diálogo político e defendeu mudanças constitucionais para que a Venezuela retorne a um sistema parlamentar bicameral, elimine a reeleição e favoreça a pluralidade partidária.
Ele esclareceu que sua proposta não é dirigida à líder oposicionista e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado, que manifestou sua intenção de retornar ao país a partir do Panamá, onde está exilada.
"Este não é um acordo para a oposição, é para os venezuelanos", afirmou.
Embora tenha assegurado que Machado poderá voltar, assim como os muitos venezuelanos que emigraram, entre eles dois filhos de Márquez, que vivem em Portugal e no Uruguai.
E.Gasser--VB