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Líder curdo diz que processo de integração com o Estado sírio foi concluído
Mazlum Abdi, líder curdo da milícia Forças Democráticas Sírias (FDS), afirmou nesta quinta-feira (20) que o processo de integração com o Estado sírio foi concluído, quase oito meses depois de um acordo.
Os curdos, apoiados pelos Estados Unidos, estabeleceram um governo autônomo com suas próprias instituições civis e militares no norte e no nordeste da Síria durante a guerra civil que começou em 2011.
Durante o conflito, lideraram a luta contra o grupo jihadista Estado Islâmico (EI) até sua derrota, em 2019.
Abdi, que comanda as FDS, um grupo liderado pelos curdos, declarou em um evento em Qamishli, no nordeste da Síria, que a integração está concluída e que se inicia uma "nova fase".
"Nossa luta continuará para garantir que os direitos legítimos de nosso povo sejam consagrados na Constituição", afirmou Abdi.
O Parlamento sírio deve redigir esse texto antes do fim do período de transição, previsto para durar cinco anos.
O acordo firmado em janeiro com o novo governo sírio, surgido das milícias rebeldes lideradas por islamistas que derrubaram Bashar al-Assad em 2024, pôs fim ao antigo desejo de autonomia dos curdos.
O anúncio desta quinta-feira ocorreu após meses de negociações entre as duas partes, marcadas pelo apoio que os Estados Unidos prestam ao presidente sírio Ahmed al-Sharaa, um ex-jihadista que agora busca se apresentar como uma figura unificadora em um país fragmentado por uma guerra civil de quase 14 anos.
O acordo de integração deste ano foi firmado após confrontos entre combatentes curdos e o Exército do governo central da Síria, que obrigaram essa minoria a se retirar de vários territórios que controlava.
— Fim do apoio americano —
Durante a eclosão da violência, Sharaa assinou um decreto que declarou o curdo como um "idioma nacional" e concedeu a essa minoria reconhecimento oficial, um gesto sem precedentes desde a independência da Síria, em 1946.
Nos termos do acordo, Sharaa nomeou, em fevereiro, Nour Eddine Ahmad Issa, um curdo originário de Qamishli, como governador de Hasake. Em março, nomeou Siban Hamo, um importante comandante militar curdo, como adjunto do ministro da Defesa para a região oriental.
Desde a implementação do acordo, as forças governamentais entraram nas cidades de Hasake e Qamishli, e Damasco assumiu a administração do aeroporto de Qamishli, além de campos petrolíferos estratégicos.
Após a chegada de Ahmad al-Sharaa ao poder, Washington rapidamente se tornou um apoio essencial do novo presidente e de seus esforços para unificar o país após anos de conflito.
Os curdos perderam a maioria dos combatentes árabes que os apoiavam e que se juntaram às autoridades.
O efetivo das forças curdas caiu de 100 mil para cerca de 50 mil homens, segundo o pesquisador especialista em Síria Fabrice Balanche.
Antes do início da guerra civil, os curdos, que representam cerca de 15% da população total, haviam sofrido durante muito tempo marginalização e perseguição por parte dos sucessivos governos sírios.
Durante décadas, foram proibidos de ensinar sua língua, celebrar suas festividades e praticar suas tradições. Dezenas de milhares deles foram privados de sua nacionalidade.
"A dissolução das FDS marca um fim amargo", analisa para a AFP Mutlu Civiroglu, especialista na questão curda radicado em Washington.
Essas forças, organizadas e treinadas, poderiam ter constituído um "modelo" dentro do novo Estado, avalia, mas agora representam "o fim de uma era para o poder curdo na Síria".
H.Weber--VB