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Primeiro-ministro britânico vai doar parte do salário para os sem-teto
O primeiro-ministro britânico, o trabalhista Andy Burnham, anunciou, nesta quarta-feira (19), seu plano para ajudar os sem-teto e acabar com as pessoas em situação de rua até o Natal, e prometeu doar parte de seu salário para enfrentar este problema.
"Ninguém deveria dormir na frente de uma porta ou do lado de fora de uma estação", declarou Burnham em um comunicado.
Desde que assumiu o cargo, em 20 de julho, Burnham se comprometeu a acabar com a situação das pessoas que dormem nas ruas, reiterando uma promessa que já tinha feito com resultados desiguais quando era prefeito da Grande Manchester.
O programa, apresentado na noite de terça-feira, contará com uma verba emergencial de 102 milhões de libras (aproximadamente R$ 713,5 milhões), que se somarão aos 340 milhões de libras (R$ 2,37 bilhões) já anunciados, e será gerenciado em escala local.
O primeiro-ministro também anunciou uma cúpula inédita este ano sobre este problema, sem informar a data. O objetivo declarado é conseguir que "todo o mundo tenha um lugar seguro onde estar até o Natal".
Além disso, Burnham declarou à revista Big Issue, veículo social distribuído por pessoas sem-teto ou em situação de precariedade, que doará 15% de seu salário para causas relacionadas com as pessoas que vivem nas ruas.
A publicação reportou que o primeiro-ministro britânico ganha por ano cerca de 180 mil libras (R$ 1,26 milhão).
"Não queria pedir a ninguém que faça algo que eu não esteja disposto a fazer. Quero dar o exemplo", afirmou.
O comunicado do governo detalha que durante o inverno britânico serão criados novos alojamentos e serviços de apoio na Inglaterra, seguindo o modelo do programa "Everyone In", implementado em março de 2020, no começo da pandemia de covid.
Aquele programa permitiu alojar milhares de pessoas sem-teto em hotéis e centros de emergência.
A ONG Shelter qualificou o anúncio como um "ponto de inflexão", embora tenha instado o governo a abordar o problema da habitação, lembrando que cerca de 178 mil crianças vivem em alojamentos temporários.
Os conservadores da oposição criticaram o anúncio por não ter um plano de execução, "nem detalhes sobre o financiamento".
O partido anti-imigração Reform UK, por sua vez, qualificou o compromisso do governo de "pouco concreto".
Em toda a Inglaterra, o número de pessoas que dorme nas ruas alcançou um recorde de 4.793 em 2025, segundo dados do governo.
O centro de estudos Institute for Public Policy Research (IPPR) prevê que este número aumente 25% até 2030.
Em termos mais gerais, 382 mil pessoas não tinham residência permanente na Inglaterra em 2025, segundo a ONG Shelter.
M.Schneider--VB