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Irã faz novos ataques após reunião entre EUA e Israel
O Exército dos Estados Unidos anunciou nesta terça-feira que interceptou mísseis iranianos lançados contra suas bases no Oriente Médio, horas após uma reunião entre o presidente Donald Trump e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, um encontro que mostrou uma frente unida contra o Irã.
Os ataques constituem a primeira escalada da violência entre Estados Unidos e Irã após dias de calma. "Todos os mísseis iranianos foram interceptados com sucesso", informou o comando militar americano para o Oriente Médio.
Os preços do petróleo subiram mais de 3% nas primeiras operações desta quarta-feira (29) na Ásia.
No Iêmen, rebeldes huthis anunciaram mais cedo que atacaram com mísseis um petroleiro saudita que havia "violado o bloqueio naval" imposto ao reino por eles, que contam com o apoio do Irã.
O conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã se estendeu recentemente a uma frente que permanecia relativamente tranquila desde 2022: a dos rebeldes do Iêmen e Arábia Saudita, que fornece apoio militar ao governo iemenita.
O Ministério da Defesa saudita anunciou que seu exército interceptou drones que tinham como alvo instalações petrolíferas no leste do reino, e acusou grupos "ligados ao Irã" de lançá-los do Iraque, pelo segundo dia consecutivo.
O Exército dos Estados Unidos informou posteriormente que caças americanos e sauditas atacaram no Iraque grupos pró-Irã que haviam lançado mais de 20 ataques com drones nos últimos dias. A ofensiva teve como alvo "terroristas alinhados ao Irã ordenados pela Guarda Revolucionária a atacar as forças americanas e a infraestrutura de energia saudita", informou o Comando Central dos Estados Unidos.
- Reunião na Casa Branca -
Donald Trump recebeu hoje Benjamin Netanyahu, para uma reunião descrita como positiva por ambos os lados.
Esse foi o primeiro encontro entre os dois desde o começo da guerra no Oriente Médio, e aconteceu após divergências políticas em torno do conflito, que atingiram seu ponto mais baixo em abril, durante as negociações de cessar-fogo com Teerã, quando Trump insultou Netanyahu e o descreveu como "um cara muito difícil".
O líder israelense minimizou as trocas de farpas na época, chamando-as de "divergências táticas", e afirmou que ambos concordavam com os objetivos da guerra.
O encontro na Casa Branca foi o oitavo desde o retorno de Trump ao poder, no ano passado. O governo americano o descreveu como "positivo e construtivo".
Em vídeo divulgado por Netanyahu, o primeiro-ministro israelense afirmou que foi "uma das melhores conversas" que já teve com o presidente dos Estados Unidos, e que ambos reafirmaram seu objetivo comum, de garantir que o Irã não obtenha armas nucleares.
A reunião a portas fechadas, que durou cerca de uma hora e meia, não desfez, no entanto, a impressão de desentendimentos entre eles.
- Momento crítico -
A visita de Netanyahu ocorre em um "momento crítico para o Oriente Médio", uma vez que o Irã continua "priorizando o terrorismo antes das negociações" e bloqueando o Estreito de Ormuz, disse mais cedo o embaixador de Israel nas Nações Unidas, Danny Danon.
Os Estados Unidos afirmam que desejam dar uma nova chance à diplomacia, após duas semanas de bombardeios sem precedentes desde a trégua de abril, dos quais Israel não participou.
Segundo Yonatan Freeman, especialista em relações internacionais da Universidade Hebraica de Jerusalém, o objetivo dos dois líderes era dissipar as especulações sobre um possível esfriamento de sua relação.
Os Estados Unidos terão eleições legislativas em 3 de novembro e Israel vai organizar eleições gerais em 27 de outubro. As últimas pesquisas mostram Netanyahu em uma posição difícil, já que parte da opinião pública critica seu governo por não ter impedido o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que desencadeou o conflito mais recente na Faixa de Gaza.
Os Estados Unidos querem pacificar toda a região, onde as dificuldades no transporte de petróleo e gás têm impacto na inflação americana.
Questionado hoje sobre relatos de que o Irã estaria fortificando a montanha de Kolang, onde poderia ter instalações nucleares importantes, Trump respondeu ao canal de TV Fox News: "Sei exatamente o que está acontecendo em Kolang, não é um grande problema. Se não chegarmos a um acordo, vamos destruí-la muito facilmente."
Outro ponto importante para os dois países é a situação na Faixa de Gaza. Citando fontes políticas, veículos israelenses informaram que o gabinete de segurança aprovou o marco legal que permite o destacamento de uma Força Internacional de Estabilização no território palestino, uma decisão apresentada como uma sinalização a Washington. A Força é um dos componentes do dispositivo americano previsto para o pós-guerra na Faixa de Gaza.
R.Kloeti--VB