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Trump diz haver "boas chances" de alcançar acordo com Irã
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mostrou-se otimista nesta segunda-feira (27) quanto à possibilidade de alcançar um acordo com o Irã, depois que as duas partes mantiveram um cessar das hostilidades pelo terceiro dia consecutivo.
Os combates estão suspensos desde sábado, depois que os Estados Unidos retomaram os bombardeios contra o Irã no contexto da disputa com a república islâmica pelo controle do Estreito de Ormuz, o que fez fracassar um cessar-fogo.
O presidente americano declarou estar otimista quanto à retomada das negociações diplomáticas para pôr fim à guerra que começou no fim de fevereiro com uma onda de ataques dos Estados Unidos e de Israel, abalando o Oriente Médio e alimentando temores sobre o impacto do conflito na economia mundial.
Questionado a bordo do Air Force One sobre as negociações, Trump respondeu: "Tenho muita paciência... Veremos o que acontece. Acho que há boas chances de que algo possa acontecer."
"Temos muita munição", declarou ainda, antes de acrescentar: "Gostaria de ter mais, para ser sincero, mas foi enviada uma quantidade muito grande para a Ucrânia."
O embaixador dos Estados Unidos na ONU, Mike Waltz, declarou no domingo que Trump está "dando algum espaço às conversas, dando a elas um pouco de margem".
O enviado advertiu que seu país continua "pronto" para atacar o Irã e que mais recursos militares foram deslocados para a região.
– Arábia Saudita sob ataque –
O conflito no Oriente Médio continua ativo em outra frente, e a Arábia Saudita afirmou ter interceptado drones lançados do Iraque por grupos aliados de Teerã.
Posteriormente, Riade instou Bagdá a "adotar todas as medidas necessárias para impedir que seu território seja usado como ponto de partida para uma agressão".
A Arábia Saudita e outros países do Golfo acusaram grupos pró-Irã de terem realizado sucessivas ondas de ataques contra seus territórios durante os primeiros meses da guerra no Oriente Médio.
No entanto, os grupos armados pró-Irã sediados no Iraque não reivindicaram nenhuma ofensiva na região desde a recente retomada das hostilidades entre Washington e Teerã.
Esse novo incidente ocorre enquanto os rebeldes houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, reivindicaram nesta segunda-feira novos ataques com drones contra infraestruturas petrolíferas sauditas no Mar Vermelho, após anunciarem na semana passada um cerco marítimo ao reino.
– "Uma organização mafiosa" –
O conflito no Oriente Médio também abalou a economia mundial ao bloquear o tráfego no Estreito de Ormuz, por onde, antes da guerra, passava cerca de um quinto do comércio mundial de hidrocarbonetos.
A república islâmica, que bloqueia essa estratégica via marítima e pretende cobrar pedágio pela passagem, anunciou ter mantido na sexta-feira e no sábado negociações com Omã, cujas costas também margeiam o estreito, sobre sua futura administração.
Em represália, os Estados Unidos retomaram o bloqueio aos portos iranianos.
A possibilidade de que ao bloqueio do Estreito de Ormuz se somassem restrições no Mar Vermelho e problemas para as exportações da Arábia Saudita impulsionou, nos últimos dias, os preços do petróleo. No entanto, a suspensão das hostilidades estabilizou as cotações, que giram em torno de US$ 86 por barril.
Mais cedo, o Irã assegurou que os Estados Unidos não participaram das recentes negociações com Omã sobre a administração do Estreito de Ormuz.
"Essas discussões não têm nada a ver com os Estados Unidos. Trata-se de uma questão bilateral entre Irã e Omã e elas continuam", declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei, durante uma entrevista coletiva. A via marítima "permanece fechada", acrescentou.
"Os mediadores podem nos transmitir mensagens da parte americana sobre os últimos acontecimentos na região. Mas, neste momento, não estamos envolvidos em nenhuma negociação com os Estados Unidos", afirmou o porta-voz.
"Enquanto esse comportamento por parte dos Estados Unidos continuar, não podemos alimentar esperanças de que surja um processo razoável", acrescentou.
Baqaei criticou os Estados Unidos e afirmou que seu comportamento nos últimos anos "tem se assemelhado ao de uma organização mafiosa que não respeita nenhuma norma nem nenhuma lei".
T.Suter--VB