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Zelensky enfrenta crise política cada vez mais profunda
O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, enfrenta uma das crises políticas mais graves desde o início da invasão russa, diante da onda de protestos em todo o país contra a destituição de um ministro da Defesa reformista.
As manifestações, que entraram no quinto dia nesta segunda-feira (20), foram desencadeadas pela demissão de Mikhailo Fedorov, popular ministro da Defesa afastado durante uma reforma ministerial após entrar repetidamente em conflito com o alto comando militar.
Desde a semana passada, centenas de pessoas têm se reunido na capital, Kiev, com cartazes improvisados de papelão e entoando o hino nacional da Ucrânia, apesar de a Rússia continuar realizando ataques aéreos noturnos.
"Isso vai continuar pelo tempo que for necessário; só terminará quando nosso presidente nos der uma resposta", declarou Irina Kostiuk à AFP.
Em Kiev, a indignação dos jovens manifestantes não dá sinais de diminuir, enquanto Zelensky tenta encontrar uma solução que satisfaça todas as partes e evite divisões em plena invasão russa.
Há vários dias, o presidente se reúne com seus principais assessores e com a cúpula militar.
Segundo a imprensa ucraniana e analistas, estão em discussão uma possível recondução de Fedorov ao cargo e o futuro do comandante-chefe das Forças Armadas, Oleksandr Syrsky.
Um porta-voz da Presidência indicou que não se espera uma decisão nesta segunda-feira.
Fedorov afirmou na semana passada que suas divergências com Syrsky motivaram sua saída, já que o comandante teria apresentado um ultimato a Zelensky para que o demitisse.
- Fora, Syrsky! -
"A situação é, sem dúvida, grave... estamos vendo a lista de reivindicações crescer continuamente", afirmou Oleksandr Salizhenko, especialista do movimento cívico Chesno.
As primeiras manifestações surgiram espontaneamente na quinta-feira pela manhã em apoio a Fedorov, jovem ministro de 35 anos especializado em tecnologia, cujos esforços para modernizar as Forças Armadas frequentemente o colocaram em conflito com a cúpula militar.
O subcomandante da Força Aérea apresentou sua renúncia em apoio a Fedorov, e outro alto oficial militar, Mikhailo Drapati, também criticou a decisão.
Ao mesmo tempo, Fedorov pediu a destituição de Syrsky, e seus apoiadores passaram a se mobilizar nas redes sociais e nas ruas, entoando cada vez mais alto: "Fora, Syrsky!"
"Syrsky é um açougueiro... Prefere combater com soldados do que com drones", afirmou uma das manifestantes, Viktoria Osipenko.
Segundo o analista Anatoli Oktisiuk, Syrsky "se tornou refém da situação" e, quanto mais tempo Zelensky o mantiver no cargo, "mais profundo será o conflito social e político".
Solomiia Bobrovska, deputada da oposição e integrante da comissão parlamentar de Defesa, afirmou que as reuniões para discutir a substituição de Syrsky continuam, mas advertiu que a situação evolui rapidamente.
- Resolver isso juntos -
Nos últimos dias, Zelensky intensificou as reuniões com a cúpula militar e fez um apelo à "unidade".
"Ele está procurando uma solução que represente uma mudança na liderança militar, mas que preserve características semelhantes às de Syrsky: lealdade, ausência de ambições políticas e respeito dentro das Forças Armadas", explicou o analista político Volodimir Fesenko.
A pressão sobre o presidente é agravada pelo crescente descontentamento entre parte dos comandantes militares.
"É especialmente doloroso ouvir julgamentos categóricos de pessoas que nunca deram ordens de combate nem assumiram a responsabilidade pela vida dos soldados", declarou o comandante Oleg Apostol.
Mesmo que seja alcançado um compromisso sobre o futuro do chefe do Exército, o destino de Fedorov continua sendo uma questão delicada.
A crise transformou Fedorov em um símbolo para os manifestantes e em uma referência para aqueles que defendem reformas nas Forças Armadas.
"A situação nas ruas começa a se tornar preocupante", afirmou a deputada Solomiia Bobrovska. "O presidente e Fedorov precisam encontrar uma maneira de resolver isso juntos."
L.Meier--VB