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Novos ataques na região de Ormuz; EUA retoma bloqueio aos portos do Irã
As forças dos Estados Unidos lançaram uma nova série de ataques contra o Irã e restabeleceram o bloqueio de seus portos, enquanto Teerã prometeu nesta quarta-feira (15) que o Estreito de Ormuz permanecerá fechado até o fim das "agressões" americanas.
A retomada do bloqueio naval, em vigor desde 20h00 GMT (17h00 de Brasília) de terça-feira, e a intensificação dos bombardeios minam os esforços diplomáticos para fazer respeitar o protocolo de acordo assinado em 17 de junho pelos Estados Unidos e pelo Irã, que ratificava o cessar-fogo de abril.
Washington também anunciou sanções contra a rede de petroleiros do magnata Mohammad Hossein Shamkhani, acusado de facilitar as exportações de petróleo iraniano, assim como o congelamento de 130 milhões de dólares (659 milhões de reais) em criptomoedas vinculados ao Banco Central iraniano.
As Forças Armadas americanas lançaram na noite de terça-feira "uma nova série de ataques contra dezenas de alvos militares" iranianos, anunciou o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom).
O Irã, que relatou bombardeios em larga escala contra seu território, respondeu nesta quarta-feira com ataques a instalações americanas em vários países do Golfo.
A Guarda Revolucionária, o exército ideológico da República Islâmica, afirmou que o Estreito de Ormuz "permanecerá fechado até que os Estados Unidos ponham fim aos seus atos de agressão", em um comunicado divulgado pela televisão estatal.
A nota menciona ainda um possível fechamento de "outras vias de exportação de petróleo e gás que atendem aos interesses dos Estados Unidos e de seus aliados".
Vários petroleiros foram atacados no Estreito de Ormuz, ações que deixaram pelo menos dois mortos e vários feridos desde a noite de segunda-feira, segundo a Organização Marítima Internacional.
Além do impacto sobre o comércio mundial, a ONU expressou preocupação com as "graves consequências socioeconômicas e humanitárias" do bloqueio da "rota de passagem essencial da qual dependem milhões de pessoas".
- Protocolo "desmantelado" -
Com o retorno do bloqueio naval americano, o vice‑ministro iraniano das Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi, afirmou que Washington "desmantelou" o protocolo de acordo.
O presidente Donald Trump fez novas ameaças contra o Irã. O republicano advertiu que ampliará os ataques na próxima semana para atingir usinas de energia se Teerã não retornar à mesa de negociações.
Assim como Teerã, que pretende cobrar tarifas para autorizar a passagem pelo Estreito de Ormuz, Trump declarou na segunda‑feira que desejava cobrar um pedágio em troca da proteção da rota marítima - uma medida que contraria o direito de livre navegação.
Mas o americano voltou atrás na terça‑feira e substituiu a proposta por "acordos de comércio e investimentos" com as monarquias do Golfo.
- Quarta noite de ataques -
O Irã informou bombardeios contra seu território entre terça e quarta-feira, em Bandar Abbas e na ilha de Qeshm — no Estreito de Ormuz — e na cidade de Ahvaz, sudoeste do país. Segundo o Exército do país, sete militares morreram em ataques americanos contra um quartel na cidade de Iranshahr, que fica a 1.500 km da capital Teerã.
O Centcom afirmou que os bombardeios atingiram "áreas de mísseis e drones iranianos, de capacidades navais e sistemas de defesa costeira". Esta foi a quarta noite consecutiva de bombardeios americanos.
Trump enviou na semana passada uma notificação oficial ao Congresso para informar a retomada do conflito, iniciado em 28 de fevereiro pelos bombardeios de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã.
Teerã respondeu com ataques a instalações americanas em países do Golfo.
O Kuwait, atingido na terça-feira por mísseis e drones que feriram quatro militares, relatou novos ataques de drones nesta quarta-feira.
O Irã anunciou que bombardeou o centro logístico kuwaitiano de Mina Abdullah, utilizado pelo Exército americano.
A Guarda Revolucionária também anunciou ataques contra instalações utilizadas pela Quinta Frota dos Estados Unidos no Bahrein.
O Exército da Jordânia afirmou que derrubou três mísseis lançados pelo Irã que, segundo a televisão estatal iraniana, lançou drones contra hangares na base Al Azraq e uma instalação que abriga caças F-18.
Com a retomada do bloqueio naval, Trump busca pressionar Teerã, que deseja manter o controle do estreito, onde autoriza apenas um corredor de navegação ao longo de suas costas.
Durante o bloqueio anterior, em abril, adotado em represália pelo fechamento do Estreito de Ormuz por parte do Irã, Teerã não conseguiu exportar nenhum barril de petróleo, segundo seu principal negociador do país, Mohammad Bagher Ghalibaf.
A operação de bloqueio "desempenhou um papel determinante na conclusão do protocolo de acordo", afirmou o Instituto para o Estudo da Guerra (ISW), com sede em Washington.
burx-am/tmt/mas/avl/fp
A.Zbinden--VB