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Peru vota em segundo turno acirrado para eleger seu nono presidente em 10 anos
Os peruanos começaram a votar, neste domingo (7), para eleger seu nono presidente em dez anos entre a direitista Keiko Fujimori e o esquerdista Roberto Sánchez, em um segundo turno acirrado, no qual vão às urnas fartos do caos políticos e da criminalidade desenfreada.
Keiko Fujimori, filha do ex-presidente autocrata Alberto Fujimori (1990-2000), enfrenta, em sua quarta tentativa de chegar à Presidência, Sánchez, que na reta final subiu nas pesquisas até empatar com a adversária.
A seções eleitorais abriram pouco depois das 07h locais (09h de Brasília) e ficarão abertas por dez horas para definir o próximo chefe de Estado para um mandato de cinco anos.
Cerca de 27 milhões de eleitores devem votar para escolher o presidente, após uma queda recorde de governantes desde 2016.
"Espero que todo o processo seja realizado com transparência, que o voto do povo seja respeitado", disse à AFP Evelyn Pasos, empregada doméstica de 43 anos, na fila de eleitores no colégio San Martín de Porres, no norte de Lima.
Juntos, os dois candidatos não superaram os 30% no primeiro turno, em abril, afetado por falhas logísticas e denúncias de fraude que aumentaram a desconfiança nas instituições peruanas.
"Ainda existe um forte antifujimorismo, embora menor; e Sánchez, pouco conhecido, é uma incógnita. Quem vencer, vai deslegitimar o resultado se for apertado. Isso traz mais instabilidade", avalia o analista David Sulmont.
Fujimori, uma administradora de 51 anos, apela ao legado ambivalente do pai, que estabilizou a economia, derrotou a insurgência, mas foi acusado de crimes contra a humanidade.
Sánchez, congressista e ex-ministro de 57 anos, reivindica o legado camponês do ex-presidente Pedro Castillo, um professor rural preso após o autogolpe de Estado frustrado de 2022.
- "Comunismo" ou "ditadura"? -
Fujimori promete prosperidade e adverte para o perigo do "comunismo". "Esta eleição é entre ordem ou retrocesso", repete.
"Prefiro a direita. Tenho medo que o Peru vire uma Cuba ou uma Venezuela", disse à AFP Benilda Trujillo, uma comerciante de 64 anos.
O esquerdista moderou seu discurso de "mudança radical" do primeiro turno, se distanciou dos ultranacionalistas, e disse à AFP que quer ter uma relação "respeitosa" com Washington.
"Se Keiko vencer, não deixará o poder. Sou do interior e espero que Sánchez olhe pelo povo", declarou Roxana Montes, uma vendedora ambulante de 28 anos.
Sánchez, que sempre usa o chapéu que ganhou de presente de Castillo, a quem pensa indultar, acusa sua adversária de integrar a "ditadura" do Congresso poderoso que derruba presidentes, onde ela é influente.
Sem afetar o segundo turno, um juiz mandou Sánchez a julgamento por um caso de antigas anomalias financeiras em seu partido. Se for eleito presidente, ele terá imunidade, embora fique vulnerável em um Parlamento inclinado à direita.
Nem Sánchez, nem Fujimori têm maioria legislativa. Quem vencer as eleições, terá que costurar alianças para concluir seu mandato, segundo o analista Jeffey Radzinsky.
Quem for eleito substituirá a partir de 28 de julho o presidente interino José María Balcázar.
- As extorsões, o ponto mais crítico -
Apesar da desilusão política, a maior preocupação dos peruanos é a insegurança em um país onde abundam as quadrilhas criminosas e as denúncias de extorsão aumentaram nove vezes em cinco anos.
Para enfrentar disso, Fujimori sugere a linha-dura: militarizar as prisões e as zonas conflituosas, e expulsar migrantes para acabar com a "praga social" com a "mesma força" - diz - com que seu pai venceu a insurgência nos anos 1990.
"Espero que Keiko combata a delinquência, as extorsões, que é o mais crítico", assegurou à AFP Carlos Altamirano, um engenheiro mecânico de 49 anos, em uma seção eleitoral do norte de Lima.
Sánchez propõe enfrentar a corrupção na polícia e na justiça, diante do que denuncia de uma cumplicidade das elites políticas com a criminalidade.
Sua base social está na zona rural empobrecida e abandonada, onde a insegurança é menor. A de Fujimori fica em Lima, onde em 2025 triplicou a taxa de homicídios, com 23 por 100.000 habitantes.
O vencedor das eleições governará um Peru economicamente estável, com crescimento do PIB de 3,4% e baixa inflação. Mas sete em cada dez trabalhadores estão na informalidade.
Fujimori defende propostas neoliberais, o respeito à propriedade privada e a atração de investimentos americanos.
Sánchez prometeu aumentos salariais e tentou tranquilizar os investidores, ao dizer que vai manter a abertura econômica e a independência do estratégico banco central.
A.Ruegg--VB