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Sob pressão de Trump, UE chega a consenso para implementar acordo comercial com EUA
Sob pressão de Donald Trump, os membros da União Europeia (UE) chegaram nesta quarta-feira (20) a um compromisso provisório para aplicar o acordo comercial firmado no ano passado com os Estados Unidos, na esperança de encerrar um capítulo turbulento nas relações transatlânticas.
Em julho passado, o bloco de 27 países chegou a um acordo com Washington para fixar as tarifas sobre a maioria dos produtos europeus em 15%, mas, para frustração de Trump, ainda não havia cumprido sua promessa de eliminar em troca suas tarifas sobre as importações americanas.
O magnata republicano deu então à UE até 4 de julho, data em que se comemoram os 250 anos da independência dos Estados Unidos, para colocar plenamente em prática esse pacto negociado em Turnberry, na Escócia.
Ele chegou a ameaçar elevar de 15% para 25% as taxas sobre automóveis e caminhões europeus.
"O Conselho e o Parlamento chegaram a um acordo para aplicar os elementos tarifários da Declaração Conjunta" UE-Estados Unidos adotada em 21 de agosto de 2025, escreveu na madrugada desta quarta-feira a presidência da UE, atualmente nas mãos de Chipre, em um comunicado.
A presidência especificou que se trata de um consenso "provisório".
Os representantes dos eurodeputados e dos 27 Estados-membros iniciaram na tarde de terça-feira suas discussões a portas fechadas, em uma sala do Parlamento Europeu na cidade francesa de Estrasburgo, após uma tentativa fracassada no início de maio.
"Hoje, a União Europeia cumpre seus compromissos", proclamou em um comunicado Michael Damianos, ministro cipriota da Energia, Comércio e Indústria. "A manutenção de uma parceria transatlântica estável, previsível e equilibrada é do interesse de ambas as partes", acrescentou.
Esse consenso chega, além disso, depois de o Parlamento Europeu ter exigido no mês passado um conjunto de salvaguardas difíceis de serem aceitas pelos Estados-membros, preocupados em evitar um novo ataque de fúria da Casa Branca.
- Pontos de bloqueio -
Um dos pontos de bloqueio dizia respeito a uma cláusula reforçada de suspensão, que previa a eliminação das condições tarifárias favoráveis concedidas aos exportadores americanos caso os Estados Unidos violassem os termos do acordo.
Os eurodeputados aceitaram flexibilizar essas exigências. Segundo um comunicado do Parlamento Europeu, o texto final concede a Washington até o fim do ano para eliminar as sobretaxas superiores a 15% sobre componentes de aço, em vez de transformar isso em uma condição prévia.
O presidente da Comissão de Comércio Internacional do Parlamento Europeu, Bernd Lange, teve de enfrentar o desafio de alcançar uma posição comum entre os diferentes grupos parlamentares, que negociaram até o último momento.
Lange minimizou as concessões e declarou após o anúncio do acordo que "o Parlamento saiu vitorioso com suas exigências relativas a uma rede de segurança completa".
"Existe um mecanismo de suspensão caso os Estados Unidos não respeitem o acordo, um mecanismo de acompanhamento do impacto em nossa economia, disposições relativas às tarifas injustificadas sobre certos produtos, uma data de expiração para a legislação e uma forte participação do Parlamento Europeu", sublinhou.
Embora o Parlamento Europeu tenha demonstrado relutância desde o início em ratificar o acordo com os Estados Unidos, o processo também foi dificultado nos últimos meses pelas pretensões de Trump sobre a Groenlândia e, posteriormente, pelo revés judicial em matéria tarifária imposto pela Suprema Corte dos Estados Unidos ao magnata republicano.
Além disso, vários países europeus alimentaram a ira da Casa Branca nas últimas semanas devido à sua oposição ou críticas à guerra no Irã.
Mas a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, assegurou, apesar dessas tensões, que "um acordo é um acordo" e que a UE respeitaria seus compromissos para preservar as relações com seu principal parceiro comercial.
D.Bachmann--VB