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Líder da UE quer ver o Canadá como primeiro "membro associado" do bloco
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, propôs, nesta quarta-feira (16), que o Canadá se torne o primeiro "membro associado" da União Europeia (UE), na véspera de uma intervenção prevista do primeiro-ministro canadense, Mark Carney, no Parlamento Europeu.
Canadá e UE estreitaram os vínculos nos últimos meses, em resposta à crescente hostilidade do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação àqueles que costumavam ser seus aliados tradicionais.
"Gostaria de trabalhar com você para abrir a porta para que o Canadá seja o primeiro membro associado da UE", declarou Von der Leyen a Carney, uma mensagem recebida com aplausos no Parlamento Europeu.
O status de membro associado não está juridicamente definido pelos tratados da UE.
Von der Leyen propôs uma cooperação mais estreita com o Canadá em tecnologia, defesa e energia. Tanto a UE quanto o país norte-americano foram afetados pelas tarifas e as ameaças territoriais do governo dos Estados Unidos, assim como pela concorrência da China.
"Em um mundo mais perigoso e dividido, o Canadá está fortalecendo suas relações com parceiros de confiança", destacou, por sua vez, o gabinete de Carney em um comunicado.
Carney, primeiro chefe de um governo estrangeiro a assistir a um discurso sobre o estado da União do bloco, deve discursar na quinta-feira para os eurodeputados em Estrasburgo.
O Canadá, em plena guerra comercial com o governo Trump, está em busca de novos parceiros.
A Europa, cujas relações com Washington também são tensas, busca apoio para sua estratégia de reequilíbrio entre as duas superpotências, China e Estados Unidos.
- Reinventar alianças -
Von der Leyen afirmou que é hora de avançar de uma cooperação centrada no comércio para uma "aliança para o futuro" mais ampla, além de "levar a relação com o Canadá ao nível mais elevado possível".
"Trabalharemos na manufatura inteligente. Criaremos uma aliança tecnológica. Integraremos as bases da indústria de defesa. Faremos do Ártico um projeto emblemático conjunto", declarou.
"Esta aliança não é direcionada contra ninguém, e sim para a nossa força comum", acrescentou a dirigente europeia.
"Vemos o mundo com os mesmos olhos, da IA (inteligência artificial) à mudança climática, do Ártico à geopolítica", ressaltou Von der Leyen, que conclamou Ottawa e Bruxelas a "construir um futuro comum".
Canadá e UE são parceiros econômicos graças a um acordo que proporcionou um aumento de mais de 75% do comércio entre as partes "em menos de uma década", segundo Von der Leyen.
- "Reinventar nossas alianças" -
A chefe da UE considerou "urgente reinventar nossas alianças", ao defender uma perspectiva de membro associado dos 27 para o Canadá.
O país da América do Norte se tornou, este ano, a primeira nação não europeia a aderir a um programa de empréstimos para a defesa.
Ottawa também espera concluir um acordo que permita ao Banco Europeu de Investimento financiar projetos canadenses de minerais críticos, disse à AFP o embaixador do Canadá na UE, Jonathan Wilkinson.
Após se reunir com Von der Leyen, Carney viajou ao Reino Unido, onde se reuniu com o novo primeiro-ministro britânico, Andy Burnham. Ambos reafirmaram sua vontade de "cooperar nas áreas de defesa e de comércio".
Ele também assistirá a uma partida de futebol entre Everton e Wolverhampton, antes de retornar a Estrasburgo para seu discurso de quinta-feira.
"Acreditamos que o poder não pertence ao mais forte, ao mais rico ou ao mais barulhento, e sim a todos nós. As democracias são livres para escolher com quem trabalhar", declarou Von der Leyen.
"Compartilhamos um oceano, um conjunto de valores, uma maneira de ver o mundo. E agora também construiremos nosso futuro comum", acrescentou.
ub/ec/st/mas/dbh/pc/fp/aa/mvv/ic
M.Betschart--VB