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Israel intercepta flotilha para Gaza e detém pelo menos 175 ativistas
O Exército israelense interceptou, nesta quinta-feira (30), em frente à costa da Grécia, parte de uma flotilha de embarcações com ajuda para Gaza e prendeu dezenas de militantes pró-palestinos que serão levados para a Grécia.
O Ministério das Relações Exteriores de Israel anunciou a detenção de 175 pessoas em cerca de 20 embarcações. Os organizadores da flotilha, que contava com mais de 50 barcos, reportaram que este número era de 211 ativistas.
O chanceler israelense, Gideon Saar, anunciou no X que os ativistas "serão levados para a Grécia nas próximas horas", após um acordo com o governo deste país.
Itália e Alemanha afirmaram estar acompanhando a situação com "preocupação", e a França pediu "a todas as partes" que respeitem o direito internacional. O governo espanhol, bastante crítico em relação às autoridades israelenses, enviou a "mais veemente condenação pela detenção da flotilha".
Os quatro países asseguraram ter cidadãos entre os militantes, que pretendiam levar ajuda humanitária a Gaza, cujos acessos continuam restritos apesar do cessar-fogo em vigor desde outubro.
As autoridades israelenses controlam todos os pontos de entrada em Gaza e foram acusadas pela ONU e por ONGs estrangeiras de impedir a entrada de bens no território.
Tais restrições e os dois anos de guerra entre Israel e o Hamas, deflagrada em outubro de 2023, resultaram em uma grave escassez na Faixa.
- "Sequestrados" -
Durante a noite, a flotilha 'Global Sumud' havia afirmado que no X que algumas de suas embarcações haviam sido abordadas "por lanchas militares cujos ocupantes se identificaram como sendo de 'Israel'".
Acrescentou que os ocupantes foram "apontados com lasers e armas de assalto semiautomáticas" e que os soldados "ordenaram aos participantes que se agrupassem na parte dianteira dos barcos e ficassem de quatro".
Foram "sequestrados" por Israel, denunciou em entrevista coletiva a organizadora Yasmine Scola, que está a bordo de um dos barcos não interceptados. Segundo ela, a embarcação transporta material escolar e alimentos.
Já as autoridades israelenses disseram ter encontrado preservativos e cocaína a bordo. Também afirmaram que os militantes "se divertiam" nas embarcações israelenses após a sua captura e divulgaram imagens de pessoas fazendo rodas ou pirâmides humanas.
Segundo verificações realizadas pela AFP, baseadas nos dados de navegação dos organizadores, os barcos foram interceptados na Zona Econômica Exclusiva (ZEE) da Grécia.
Cerca de trinta continuam a caminho de Gaza; a maioria já se encontra em águas territoriais gregas, ao sul de Creta, segundo a mesma fonte.
Durante a coletiva de imprensa, os organizadores afirmaram desconhecer o que os outros navios pretendiam fazer.
- "Ação precoce" -
"A operação foi realizada em águas internacionais, pacificamente, sem fazer vítimas", declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel, Oren Marmorstein.
"Devido ao grande número de embarcações que participam da flotilha, ao risco de escalada e à necessidade de impedir a violação de um bloqueio legal, impunha-se uma ação precoce", acrescentou.
A Anistia Internacional criticou Israel, alegando que sua Marinha "percorre centenas de milhas náuticas para impedir que barcos civis que transportam comida, leite infantil e material médico cheguem aos palestinos".
Segundo a ONG, isso "demonstra até onde Israel está disposto a ir para manter seu bloqueio cruel e ilegal".
Esta flotilha partiu nas últimas semanas de Marselha (França), Barcelona (Espanha) e Siracusa (Itália).
Uma primeira tentativa em 2025, com ativistas como Greta Thunberg e algumas figuras de países latino-americanos, como o brasileiro Thiago Ávila, foi interceptada. Os membros da tripulação foram presos e expulsos por Israel, que rejeitou ter praticado maus-tratos, como denunciado pelos ativistas.
A Faixa de Gaza, governada pelo movimento islamista palestino Hamas, está submetida a um bloqueio israelense desde 2007.
A devastadora guerra desencadeada pelo ataque sem precedentes do Hamas em território israelense em 7 de outubro de 2023 provocou uma grave escassez de alimentos, água, medicamentos e combustível.
Desde o início de um precário cessar-fogo entre as partes em outubro, o Exército israelense controla mais da metade do pequeno território costeiro palestino, onde o acesso da ajuda humanitária continua restrito.
F.Wagner--VB